Do Grande Museu Egípcio à nova capital, o país do Norte de África procura mostrar a sua 'diversidade incomparável' para lá das pirâmides e das estâncias balneares.
Conhecido sobretudo pelas maravilhas da Antiguidade, o Egito está a passar por uma transformação moderna.
Com alguns dos monumentos mais antigos – e mais reconhecidos – do planeta, o país norte-africano está a reformular a sua oferta turística, com uma série de novas atrações e destinos que tanto quem visita pela primeira vez como quem regressa está agora a descobrir.
Da aguardada abertura do Grande Museu Egípcio à construção de uma nova capital administrativa a leste do Cairo, o Egito está a investir fortemente em novos projetos, impulsionando um forte crescimento do número de visitantes.
Em 2025, o Egito recebeu cerca de 19 milhões de turistas, mais 21 % do que no ano anterior. Segundo o Barómetro Mundial do Turismo da ONU, publicado em janeiro, isso colocou o país entre os destinos turísticos que mais cresceram no mundo no último ano.
Sherif Fathy, ministro do Turismo e das Antiguidades do Egito, considera que, apesar de o país ter um dos patrimónios culturais mais ricos do mundo, o seu atrativo vai muito além dos monumentos mais emblemáticos.
«O país dispõe de infraestruturas turísticas, de diferentes tipos de produtos, de muitas atrações», afirma em entrevista à Euronews Travel na feira de turismo ITB Berlin. «Temos arqueologia, temos praias e muitos outros produtos.
«Começámos a centrar-nos nesta 'diversidade incomparável', mostrando ao mundo que temos muito mais do que umas férias de praia em Hurghada ou Sharm El Sheikh, ou mais uma visita às pirâmides.»
Grandes museus e exposições
Símbolo central da renovação cultural do Egito, o aguardado Grande Museu Egípcio abriu oficialmente portas ao público em novembro de 2025.
Resultado de vinte anos de trabalhos, o projeto de mil milhões de dólares (865 milhões de euros) é o maior museu do mundo dedicado a uma civilização antiga. Exibe 50 000 artefactos, incluindo toda a coleção de tesouros do túmulo do rei Tutankhamon, muitos deles expostos pela primeira vez.
Situado nos arredores do Cairo, com vista para as pirâmides de Gizé, o complexo deverá atrair cinco milhões de visitantes por ano.
«O Grande Museu Egípcio é uma grande mais-valia para a nossa capacidade turística», diz Fathy. «Não é apenas um museu, é um museu e também um centro de investigação e desenvolvimento, um centro de restauro com ótimas infraestruturas.»
A par do novo museu, o Egito (fonte em inglês) está também a levar o seu património cultural ao estrangeiro através de exposições itinerantes. Um exemplo é «Ramsés e o Ouro dos Faraós: A Exposição», patente até 31 de maio no NEON da Battersea Power Station, em Londres.
Reúne 180 peças «cuidadosamente selecionadas», afirma Fathy. «Convido as pessoas a irem ver aquilo que estamos a expor nesta grande mostra, ou museu itinerante, como lhes costumo chamar.»
Diversidade de experiências e nova capital
Embora os sítios históricos do Egito continuem a ser o principal chamariz do país, as autoridades turísticas procuram igualmente destacar a diversidade de experiências disponíveis, das praias mediterrânicas ao mergulho no mar Vermelho, passando pelos cruzeiros no Nilo e viagens de âmbito espiritual.
«O Egito é o país onde se podem combinar visitas culturais com praia, sol e diversão, como lhe chamamos», sublinha Fathy.
A costa norte mediterrânica, por exemplo, está a afirmar-se como destino em rápido crescimento graças a novas infraestruturas e a melhores ligações de transporte.
Em paralelo, o governo egípcio investe em projetos de longo prazo que irão apoiar o turismo de negócios e a realização de eventos internacionais.
O maior projeto em curso é a chamada «Nova Capital».
Situada ao longo do corredor que liga o Cairo ao mar Vermelho, é um dos empreendimentos urbanos mais ambiciosos da região.
«A Nova Capital representa o futuro», afirma Fathy. «Mostra que os egípcios são construtores e que têm construído ao longo de toda a sua história.»
A cidade integra grandes centros de conferências, salas de espetáculos e espaços de exposições num bairro dedicado à Cultura e às Artes, bem como um número crescente de hotéis.
«Para nós, a nova capital será o principal destino para exposições e para o negócio MICE em geral», diz. «E será o centro nevrálgico das reuniões de negócios e das atividades ligadas às empresas.»
Egito lidera desenvolvimento hoteleiro em África
Não são apenas novas atrações que estão a nascer no Egito, mas também hotéis.
A carteira de novos projetos hoteleiros em África é dominada por empreendimentos no Egito, de acordo com o relatório «Hotel Chain Development Pipelines in Africa 2026» da W Hospitality Group.
O Egito lidera o continente com 45 984 quartos distribuídos por 185 hotéis e resorts, o que representa mais de um terço de todos os projetos em carteira em África e mais de quatro vezes o número de quartos do segundo classificado, Marrocos.
O dinamismo no Egito é alimentado também por um fluxo constante de novos projetos: no ano passado foram assinados 39 contratos hoteleiros e estão previstas 33 inaugurações em 2026, o que reforça a posição do país como o mercado mais ativo de desenvolvimento hoteleiro em África.