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Lemkos: Warhol e Nikifor na mesma exposição em Varsóvia

Obra de Andy Warhol em exposição no Museu Etnográfico em Varsóvia
Obra de Andy Warhol em exposição no Museu Etnográfico de Varsóvia Direitos de autor  Euronews / fot. Paweł Głogowski
Direitos de autor Euronews / fot. Paweł Głogowski
De Marcelina Burzec
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Andy Warhol, Nikifor e Jerzy Nowosielski, os lemkos mais célebres, ou rutenos dos Cárpatos. Durante anos, a sua arte foi ignorada. Um museu em Varsóvia quer mudar isto.

“Não aprendíamos a arte dos rutenos. Nem sequer sabíamos que alguns artistas que entraram para o cânone, como Nowosielski ou Andy Warhol, eram Lemkos. Era um conhecimento que só poucos especialistas tinham”, explica a diretora do Museu Etnográfico de Varsóvia, doutora Magdalena Wróblewska.

Os Lemkos, grupo étnico que há séculos habita as vertentes norte e sul da cadeia principal dos Cárpatos, foram durante anos ignorados pela corrente dominante da arte europeia.

A exposição “Formas de Presença. Arte dos Lemkos/Rutenos dos Cárpatos” dá palco à sua produção, que durante anos ficou à margem das narrativas dominantes sobre a arte europeia.

Exposição “Formas de Presença. Arte dos Lemkos/Rutenos dos Cárpatos” no Museu Etnográfico de Varsóvia.
Exposição “Formas de Presença. Arte dos Lemkos/Rutenos dos Cárpatos” no Museu Etnográfico de Varsóvia. Euronews / fot. Paweł Głogowski

Formas de presença dos Lemkos na arte

“Convém ver a exposição com atenção às secções temáticas”, aconselha a diretora do museu.

Para o curador, o doutor Michał Szymko, era importante que começasse por uma parte dedicada à identidade. Migrações forçadas, assimilação, o campo de internamento de Talerhof e a operação “Vístula”: a memória desses acontecimentos traumáticos regressa nas obras de artistas e nos objetos do quotidiano provenientes de lares Lemkos/Rutenos.

Exposição “Formas de Presença. Arte dos Lemkos/Rutenos dos Cárpatos” no Museu Etnográfico de Varsóvia.
Exposição “Formas de Presença. Arte dos Lemkos/Rutenos dos Cárpatos” no Museu Etnográfico de Varsóvia. Euronews / fot. Paweł Głogowski

Para a doutora Magdalena Wróblewska, é a parte mais contemplativa da mostra. “Fala do vazio, da perda, da tentativa de quebrar uma identidade. Como os Lemkos foram expulsos, destruíram-se as suas formas culturais tradicionais. Destruíram-se as suas tradições. Mas as partes seguintes falam da sobrevivência dessas formas”.

A diretora do Museu Etnográfico de Varsóvia, Magdalena Wróblewska, mostra-se satisfeita por a exposição incluir fotografias do etnógrafo Antoni Kroh.
A diretora do Museu Etnográfico de Varsóvia, Magdalena Wróblewska, mostra-se satisfeita por a exposição incluir fotografias do etnógrafo Antoni Kroh. Euronews / fot. Paweł Głogowski

Na segunda secção, intitulada Transpop, expõem-se obras de jovens artistas que retomam modelos e regressam à tradição. “Mas, ao mesmo tempo, estão a par das novas linguagens e mantêm essa tradição viva, dinâmica, atual”, diz a doutora Wróblewska.

A exposição inclui cinco obras de Andy Warhol. Chegaram de coleções privadas e de um museu em Praga.

“Procurámos estas obras em vários sítios porque queríamos mostrá-lo por um lado menos óbvio. Parece que vemos uma das suas peças mais célebres, a Marilyn, mas há também um desenho que propõe outra visão da feminilidade: a maternidade. E há frutos. Frutos sobre os quais o próprio Warhol contou histórias pungentes: histórias de pobreza, de carência, de uma situação em que a família não tinha sequer meios para comprar as peras que podemos ver numa dessas obras”, explica a diretora do museu.

As obras de Andy Warhol foram emprestadas, nomeadamente, a partir de Praga.
As obras de Andy Warhol foram emprestadas, nomeadamente, a partir de Praga. Euronews / fot. Paweł Głogowski

A sala seguinte reúne muitas obras dedicadas à natureza. “Para se sentir a atmosfera da floresta, da montanha, do ambiente natural. E ali encontramos muitos trabalhos que falam desse enraizamento na natureza”, acrescenta.

No primeiro piso apresenta-se uma instalação monumental de Dorota Nieznalska.

“Recorda momentos difíceis da história e investigações antropológicas que também tiveram efeitos negativos”, explica a diretora do Museu Etnográfico de Varsóvia.

Instalação de Dorota Nieznalska no Museu Etnográfico de Varsóvia.
Instalação de Dorota Nieznalska no Museu Etnográfico de Varsóvia. Euronews / fot. Paweł Głogowski

As peças em exposição abrangem um amplo arco geográfico, da Polónia, Eslováquia, Hungria e Sérvia, passando pela Chéquia, Roménia, Ucrânia e Croácia, até à diáspora nos Estados Unidos.

Como escrevem os curadores: “À luz disto, as célebres palavras de Andy Warhol ‘I’m from nowhere’ ganham um novo sentido: falam de uma identidade capaz de perdurar para lá das fronteiras e dos lugares que mudam”.

Exposição temporária “Formas de Presença. Arte dos Lemkos/Rutenos dos Cárpatos”no Museu Etnográfico de Varsóvia está aberta ao público até 30 de junho de 2026.

Editor de vídeo • Pawel Glogowski

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