Preços do petróleo disparam e bolsas recuam após ameaça de bloqueio do Estreito de Ormuz; forint húngaro valoriza-se com resultados eleitorais.
Os mercados enfrentam uma segunda-feira mais cautelosa, depois de o otimismo do fim de semana sobre um avanço nas conversações de paz se ter esbatido. Os investidores preparam-se para uma semana de forte impacto, moldada pela geopolítica, pelos dados de inflação e pelo arranque da época de resultados.
Os preços do petróleo retomaram a subida, com o Brent, referência internacional, e o WTI, referência nos Estados Unidos, a negociarem acima dos 100 dólares por barril. Na manhã de segunda-feira, na Europa, os futuros do Brent para o próximo mês avançavam 7%, para perto de 102 dólares por barril, enquanto o WTI ganhava quase 8% e subia para 104 dólares.
Esta evolução acontece numa altura em que os militares norte-americanos se preparam para bloquear navios que entrem ou saiam do estreito de Ormuz, onde grande parte do transporte marítimo tem sido perturbado pelo Irão desde o início da guerra.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o bloqueio depois de as conversações de cessar-fogo entre os EUA e o Irão, realizadas no Paquistão, terem terminado sem acordo. Os militares indicaram que o bloqueio, que abrange todos os portos iranianos, começaria esta segunda-feira às 10h CET (17h30, hora local no Irão).
Os preços do petróleo têm subido à medida que o tráfego no estreito praticamente estagnou desde o final de fevereiro. O Brent passou de cerca de 70 dólares por barril antes da guerra para mais de 119 dólares em alguns momentos.
"Os mercados registaram esta manhã um claro movimento de aversão ao risco", afirmou um analista do Deutsche Bank Research numa nota, acrescentando que "o sentimento voltou a deteriorar-se".
"Os preços do petróleo reacenderam os receios de um choque estanflacionista, com ações e obrigações a perder terreno a nível global".
Hungria: eleições impulsionam o forinte
O forint húngaro esteve em destaque no mercado cambial depois de Péter Magyar e o seu Partido Tisza terem obtido uma vitória esmagadora, pondo fim a 16 anos de governação do Fidesz de Viktor Orbán.
Antes da abertura dos mercados europeus, na segunda-feira, o euro negociava a 366,18 forintes, uma apreciação acentuada face aos 377,56 registados no final de domingo. O principal índice acionista húngaro subia 2,85% na manhã de segunda-feira, contrariando o sentimento negativo que pesava sobre as bolsas do restante bloco.
Os investidores veem o partido Tisza de Magyar a empurrar a Hungria para uma linha mais pró-União Europeia, com maior probabilidade de restabelecer o alinhamento com o Estado de direito e reforçar a cooperação com Bruxelas.
Nos restantes mercados cambiais, o euro enfraqueceu face ao dólar, para 1,1692 dólares, nas primeiras trocas em Europa. A libra esterlina também recuou face ao dólar, caindo 0,3%, para 1,3416 dólares.
Bolsas enfrentam sessão turbulenta
As bolsas europeias abriram em baixa, com o índice FTSE 100, em Londres, a cair 0,4% na abertura, o DAX, em Frankfurt, a recuar 1% e o CAC 40, em Paris, a descer quase 0,9%.
Na Ásia, as bolsas também recuaram esta segunda-feira. O índice de referência japonês Nikkei 225 perdeu 1,0% nas negociações da manhã, para 56 357,40 pontos. O S&P/ASX 200, da Austrália, desceu 0,5%, para 8 913,50 pontos. O Kospi, da Coreia do Sul, recuou 1,1%, para 5 795,15 pontos. O Hang Seng, de Hong Kong, deslizou quase 1,5%, para 25 513,42 pontos, enquanto o Shanghai Composite cedeu 0,2%, para 3 976,57 pontos.
Analistas antecipam que a negociação global continue turbulenta durante algum tempo.
"O resultado das conversações não foi propriamente aquilo que as pessoas esperavam, isso é certo", afirmou em Hong Kong Neil Newman, diretor-geral e responsável de estratégia da Astris Advisory Japan.
"Tal como as coisas estão neste momento, o cenário não é muito animador. E, sem dúvida, os preços do petróleo são uma grande preocupação."
Em Wall Street, a semana passada terminou com o segundo ganho semanal consecutivo. O S&P 500 recuou 0,1% na sexta-feira, após uma sessão volátil.
O Dow Jones Industrial Average caiu 0,6% e o Nasdaq Composite avançou 0,4%. Mas estes ganhos surgiram num contexto de otimismo em torno das conversações de paz do fim de semana no Paquistão, mais tarde abalado pelos desenvolvimentos subsequentes.
A rendibilidade das obrigações do Tesouro norte-americano a 10 anos subiu para 4,32% na sexta-feira, face aos 4,29% registados no final de quinta-feira.
No mercado cambial, o dólar ganhou terreno face ao iene japonês, para 159,74 ienes, a partir de 159,25 ienes. O euro valia 1,1687 dólares, abaixo dos 1,1729 dólares.
Fatores que marcam a semana nos mercados
Os mercados entram numa semana preenchida, com as atenções ainda centradas na evolução da situação no estreito de Ormuz e nas implicações mais amplas do conflito com o Irão.
Nos Estados Unidos, os investidores acompanham a primeira grande vaga de resultados empresariais, incluindo os dos grandes bancos e empresas tecnológicas, com JPMorgan, Goldman Sachs, Bank of America, ASML e TSMC a apresentarem contas esta semana.
Este calendário coincide com a divulgação de dados-chave de inflação e preços no produtor nos EUA, bem como dos novos números de pedidos de subsídio de desemprego. Estes indicadores serão decisivos para perceber se a Reserva Federal está mais perto de iniciar cortes nas taxas de juro.
Entretanto, começam esta semana em Washington as Reuniões da Primavera do FMI–Banco Mundial.
O mais recente World Economic Outlook do FMI, que será publicado na terça-feira, também estará no radar e poderá oferecer mais pistas sobre a forma como estas instituições avaliam a resiliência da economia mundial num contexto de tensões geopolíticas no Médio Oriente.
Na Europa, os investidores concentram-se nos dados dos índices PMI e da atividade industrial, que ajudarão a perceber se a economia da zona euro está a estabilizar ou se continua a enfrentar uma procura fraca.