Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

AIE diz que maior ameaça de sempre à segurança energética fará subir preços do petróleo

ARQUIVO - Diretor executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, fala em Paris, 13 nov. 2019
ARQUIVO - O diretor executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, fala em Paris, 13 de novembro de 2019 Direitos de autor  AP Photo/Michel Euler
Direitos de autor AP Photo/Michel Euler
De Doloresz Katanich com AFP & AP
Publicado a Últimas notícias
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

Em abril não foi feito qualquer novo carregamento de energia, sinal de uma perturbação crescente que pode agravar o impacto energético e económico mundial, afirmou segunda‑feira o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol.

O mês de abril pode revelar-se mais difícil do que março para os mercados de energia e para a economia mundial devido à guerra no Médio Oriente, afirmou segunda-feira em Washington o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, numa intervenção no Atlantic Council.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Enquanto em março chegaram ao mercado carregamentos provenientes da região "embarcados muito antes de a crise começar", Birol sublinhou que "durante o mês de abril não foi carregado nada".

Acrescentou que os preços do petróleo ainda não refletem a gravidade da crise de oferta sem precedentes provocada pela guerra com o Irão.

"Creio que em breve veremos uma convergência, o que é, naturalmente, uma questão extremamente sensível para a economia mundial", disse.

Birol alertou que "até hoje, perdemos 13 milhões de barris por dia. Amanhã pode ser mais. Em termos de gás, com a invasão da Ucrânia pela Rússia, perdemos cerca de 75 mil milhões de metros cúbicos e hoje estamos muito acima desse valor".

Classificou a guerra com o Irão e as respetivas implicações como a maior crise energética de sempre.

"Quanto mais tempo durar a perturbação, mais grave se torna o problema", afirmou aos jornalistas após uma reunião no Fundo Monetário Internacional.

Birol acrescentou que a AIE está "pronta a atuar" com novas liberações de reservas, se necessário.

As declarações foram feitas à margem de encontros com responsáveis do FMI e do Banco Mundial, no âmbito de um grupo recentemente criado para coordenar respostas ao impacto económico da guerra.

Birol adiantou que a agência está a monitorizar as infraestruturas energéticas na região, referindo que, de mais de 80 instalações afetadas, mais de um terço ficou gravemente danificado. Voltar a pô-las em funcionamento pode demorar até dois anos.

Reiterou que o mundo enfrenta um grande desafio em matéria de segurança energética, acrescentando que "nenhum país está imune a este problema".

A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou segunda-feira que é preciso compreender plenamente a dimensão do impacto dos danos causados pela guerra nas infraestruturas.

O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, disse que as instituições se estão a preparar para diferentes cenários, consoante a duração e a gravidade do conflito.

O FMI disponibilizou até 50 mil milhões de dólares (42,5 mil milhões de euros) em financiamento, enquanto o Banco Mundial está pronto para mobilizar até 25 mil milhões de dólares (21,25 mil milhões de euros), segundo já indicaram ambas as instituições.

Banga acrescentou esta segunda-feira que, se as hostilidades persistirem, o banco poderá disponibilizar até 60 mil milhões de dólares (51 mil milhões de euros) no total nos próximos seis meses.

Os ataques EUA-Israel contra o Irão, iniciados a 28 de fevereiro, levaram Teerão a retaliar ao bloquear praticamente o Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o transporte de energia e outras cargas.

Na quarta-feira passada, Estados Unidos e Irão acordaram uma trégua de duas semanas para permitir o avanço de negociações, mas as conversações do fim de semana em Islamabad fracassaram, levando Trump a impor um bloqueio naval ao estreito.

A produção da OPEP afundou 7,89 milhões de barris por dia em março, para 20,79 milhões de barris, anunciou segunda-feira o cartel de 12 países, uma vez que o encerramento do estreito limitou severamente a produção.

"As perturbações nas operações de navegação na região alimentaram preocupações persistentes quanto aos fluxos de oferta regionais, enquanto a forte compra de carregamentos imediatos no mercado spot, os cortes de produção e as declarações de força maior continuaram a sustentar a tendência de subida dos preços", afirmou a OPEP.

A organização considera que a procura se mantém estável este ano, mas reduziu a previsão para o trimestre em curso, invocando a guerra.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Petróleo supera 100 dólares após falharem conversações de paz no Irão, forint dispara com eleições

Trump ordena o bloqueio do Estreito de Ormuz após negociações falhadas com o Irão

AIE diz que maior ameaça de sempre à segurança energética fará subir preços do petróleo