Aliyev criticou o Parlamento Europeu pela sua "obsessão" com o país, anunciando a suspensão da cooperação. Metsola respondeu de forma incisiva em defesa da sua instituição: "Não vai mudar a nossa forma de trabalhar".
As tensões entre o Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, e a Presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, surgiram na segunda-feira, durante uma cimeira política de alto nível realizada na Arménia.
Dirigindo-se à Comunidade Política Europeia, que reúne os líderes da UE, dos países vizinhos com interesses comuns e dos países candidatos, Aliyev acusou o Parlamento Europeu de "espalhar calúnias e mentiras" sobre o Azerbaijão.
Metsola, que preside ao Parlamento Europeu, rejeitou as afirmações numa refutação contundente, ao pedir a palavra numa intervenção improvisada. "Nunca mudaremos a nossa forma de trabalhar, mesmo que seja desconfortável", afirmou.
Antes da sua intervenção, Aliyev afirmou também que os deputados europeus agem como se quisessem "sabotar" o processo de paz com a Arménia, mediado pelos EUA no ano passado, que estabeleceu um quadro diplomático e económico após o conflito do Nagorno-Karabakh. O acordo pôs fim a quase quatro décadas de tensões armadas.
Aliyev acrescentou que o Parlamento aprovou 14 resoluções críticas em relação ao Azerbaijão, descrevendo este registo como "uma espécie de obsessão" pelo país.
Aliyev anunciou também que o Parlamento do Azerbaijão vai suspender a cooperação com o Parlamento Europeu em todos os domínios.
Embora tenha criticado o parlamento, Metsola saudou os esforços da Comissão Europeia no sentido de promover as relações, numa altura em que Bruxelas procura alargar as suas relações bilaterais com Baku, um exportador de petróleo e gás, e estabelecer contactos com a região do Cáucaso do Sul.
Metsola respondeu pouco depois, defendendo o papel do Parlamento.
"O Parlamento Europeu é um órgão democrático eleito por sufrágio direto, com resoluções adoptadas por maioria", afirmou. "Compreendemos que os resultados podem ser desconfortáveis para alguns, mas nunca mudaremos a nossa forma de trabalhar".
De acordo com fontes do Parlamento Europeu em declarações à Euronews, a intervenção de Aliyev não estava prevista, o que levou Metsola a pedir a palavra para limpar o registo do Parlamento.
A Comunidade Política Europeia realiza-se em Yerevan, na Arménia, e reúne líderes de cerca de 50 países europeus, sendo vista como uma oportunidade para fazer avançar as relações diplomáticas entre a Arménia e o Azerbaijão.
A próxima cimeira da CPE está prevista para o Azerbaijão, em maio de 2028.
Aliyev encontrar-se-á com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, em Baku, na segunda-feira, e com a chefe da política externa da UE, Kaja Kallas, na terça-feira.
Azerbaijão suspende relações com o Parlamento Europeu
A mais recente resolução do Parlamento Europeu sobre o Azerbaijão foi aprovada na semana passada em Estrasburgo, centrando-se em grande parte na resistência democrática na Arménia, ao mesmo tempo que levantava preocupações para Baku.
A resolução defende o direito de regresso dos arménios que fugiram da região em 2023, após o início de um conflito armado numa região disputada. A resolução descreve a detenção de prisioneiros de guerra arménios pelo Azerbaijão como "injusta" e apela à sua "libertação imediata e incondicional".
De acordo com a resolução, os arménios devem receber "a proteção da sua identidade, propriedade e património cultural".
As resoluções anteriores fizeram eco de preocupações semelhantes, incluindo críticas às ações militares do Azerbaijão na região.
O Parlamento do Azerbaijão aprovou, na sexta-feira, uma resolução de uma comissão parlamentar especial criada para fazer face ao que designou por "atividades hostis" contra o país, na sequência de várias resoluções críticas do Parlamento Europeu.
Hikmet Hajiyev, assistente do Presidente do Azerbaijão e chefe do Departamento de Política Externa da Administração Presidencial, classificou a resolução do Parlamento Europeu como "uma vergonha diplomática e um fracasso diplomático" e acusou os deputados de "criarem obstáculos a um processo de paz".