Trump anunciou que os EUA começariam a guiar os navios na segunda-feira através do estreito estratégico, uma importante rota de transporte de petróleo, gás e fertilizantes.
As forças armadas iranianas afirmaram, na segunda-feira, que impediram navios da Marinha dos EUA de entrar no Estreito de Ormuz, depois do presidente Donald Trump ter anunciado que as forças navais americanas iriam começar a guiar os navios bloqueados através desta via navegável estratégica.
"Mais informações serão divulgadas posteriormente", lê-se num breve comunicado divulgado pela agência de notícias estatal iraniana Tasnim.
Entretanto, os meios de comunicação social iranianos afiliados à Guarda Revolucionária afirmaram que uma fragata da Marinha dos EUA tinha sido alvo de mísseis no estreito.
"A fragata, que navegava na segunda-feira no Estreito de Ormuz, em violação das regras de navegação e segurança marítima perto de [o porto de] Jask, foi alvo de um ataque de mísseis depois de ignorar um aviso da marinha iraniana", disse a agência de notícias Fars, sem citar uma fonte.
As forças armadas norte-americanas negaram que algum dos seus navios da Marinha tenha sido atingido no Estreito de Ormuz.
"Nenhum navio da Marinha dos EUA foi atingido. As forças americanas estão a apoiar o Projeto Liberdade e a fazer cumprir o bloqueio naval aos portos iranianos", afirmou o Comando Central, que supervisiona as forças americanas no Médio Oriente, numa publicação no X.
Os Emirados Árabes Unidos afirmaram que o Irão tinha disparado dois drones contra um petroleiro ligado à sua empresa petrolífera estatal ADNOC no Estreito de Ormuz, condenando o ataque.
"Atacar a navegação comercial e utilizar o Estreito de Ormuz como instrumento de coação económica ou chantagem constitui um ato de pirataria por parte da Guarda Revolucionária do Irão", afirmou o ministério dos Negócios Estrangeiros, acrescentando que não houve feridos.
Os EAU classificaram o incidente como uma "violação flagrante" da Resolução 2817 do Conselho de Segurança da ONU.
"Projeto Liberdade"
Trump afirmou, no domingo, numa publicação nas redes sociais que os EUA iriam "guiar" os navios para fora do Estreito de Ormuz, alertando que as tentativas iranianas de os bloquear "terão, infelizmente, de ser enfrentadas com firmeza".
A iniciativa de reativar o tráfego através do Estreito de Ormuz corre o risco de comprometer o frágil cessar-fogo que se mantém há mais de três semanas.
Descreveu parte do que chamou de "Projeto Liberdade" - "Freedom Project" no original - em termos humanitários, concebido para ajudar os marítimos retidos, muitos deles em petroleiros ou navios de carga, que estão presos no Golfo Pérsico desde o início da guerra.
A agência noticiosa estatal iraniana IRNA classificou, posteriormente, a proposta de Trump como parte do seu "delírio", e o comando militar iraniano afirmou na segunda-feira que os navios que passarem terão de coordenar a sua passagem com eles.
"Alertamos que qualquer força militar estrangeira, especialmente as forças armadas agressivas dos EUA, que pretenda aproximar-se ou entrar no Estreito de Ormuz será alvo de ataque", disse o Major-General Piloto Ali Abdollahi à emissora estatal IRIB.
O Centro Conjunto de Informação Marítima indicou que os EUA criaram uma "zona de segurança reforçada" perto do lado de Omã do Estreito de Ormuz. Instou os navegantes a coordenarem-se estreitamente com as autoridades de Omã "devido ao elevado volume de tráfego previsto".
Indica, ainda, que passar perto das rotas habituais, conhecidas como esquema de separação de tráfego, "deve ser considerado extremamente perigoso devido à presença de minas que não foram totalmente inspecionadas e neutralizadas".