"A situação internacional atual é complexa e volátil, com uma hegemonia unilateral desenfreada", afirmou o presidente chinês ao receber Vladimir Putin em Pequim, na manhã desta quarta-feira.
O líder chinês Xi Jinping recebeu o presidente russo, Vladimir Putin, em Pequim, no início da manhã de quarta-feira, para discutir o ponto da situação em vários conflitos mundiais.
"Na atual conjuntura tensa no palco internacional, a nossa parceria estreita é particularmente necessária", afirmou Putin a Xi, descrevendo o líder chinês como seu "caro amigo".
Segundo os meios de comunicação estatais chineses, Xi afirmou que a China e a Rússia devem "promover uma ordem mundial mais justa" e alertou para uma hegemonia unilateral que, disse, está a alastrar pelo mundo.
Como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e importantes potências mundiais, acrescentou Xi, "China e Rússia devem adotar uma visão estratégica de longo prazo e cooperar para construir um sistema de governação global mais justo e equitativo".
Médio Oriente: conflito entra num momento crítico
Durante o encontro com Putin, Xi referiu-se ao conflito no Médio Oriente, afirmando que é imperativo pôr fim aos combates, mas que a situação se encontra agora num momento crítico e está a passar da guerra para a paz.
"A minha proposta em quatro pontos para manter e promover a paz e a estabilidade no Médio Oriente visa reforçar o consenso internacional e contribuir para aliviar as tensões, desescalar o conflito e promover a paz", afirmou Xi, segundo o órgão de comunicação oficial Xinhua.
A proposta em quatro pontos de Xi, apresentada no mês passado durante o encontro com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, promove a coexistência pacífica, a soberania nacional, o primado do direito internacional e uma abordagem coordenada ao desenvolvimento e à segurança.
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Riabkov, afirmou esta quarta-feira que Moscovo está pronta para apoiar conversações entre os Estados Unidos e o Irão.
"A Rússia está pronta para prestar toda a ajuda possível à resolução deste conflito, e as partes envolvidas sabem-no bem", disse Riabkov, antes do encontro de Putin com Xi.
Antes de Putin e Trump visitarem Pequim, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Aragchi, realizou a sua própria visita à China.
China: Xi consegue pressionar Putin sobre a Ucrânia?
O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou, esta terça-feira, que espera que Xi convença Putin "a pôr fim a esta guerra na Ucrânia, que não pode vencer".
"Estamos, naturalmente, a acompanhar muito de perto a visita do presidente Putin a Pequim", disse Merz aos jornalistas. "Tomámos igualmente nota de várias declarações feitas durante o encontro anterior entre o presidente Xi Jinping e o presidente Trump. Analisámos essas declarações com interesse."
"Neste momento, não esperamos uma alteração fundamental nas relações estratégicas entre a Rússia e a China. Mas associamos naturalmente esta visita à esperança de que o presidente Xi inste também o presidente Putin a pôr fim a esta guerra na Ucrânia, que não pode vencer. Pelo contrário, trata-se de uma guerra que está a causar diariamente pesadas baixas à Rússia."
A China tornou-se, na prática, o parceiro internacional mais importante da Rússia desde a invasão em grande escala da Ucrânia, uma dinâmica que suscita crescente preocupação nas capitais ocidentais, incluindo Bruxelas.
Diplomatas e analistas ocidentais consideram que o apoio económico e diplomático de Pequim tem contribuído para sustentar o esforço de guerra da Rússia na Ucrânia. Mesmo que a China não tenha declarado explicitamente apoio à guerra de Moscovo, também não tem usado os instrumentos de pressão de que dispõe para a fazer parar.
China e Rússia: cooperação aprofunda-se
À medida que a visita de alto nível avança, Rússia e China devem assinar cerca de 40 documentos, com Putin e Xi a supervisionarem pessoalmente a assinatura de 21 deles.
Segundo os meios de comunicação estatais russos, dois documentos estarão em destaque: uma declaração conjunta sobre o reforço da parceria abrangente e da interação estratégica entre os dois países e uma declaração sobre o surgimento de um mundo multipolar e de um novo tipo de relações internacionais.
Os media estatais chineses noticiaram também que o "Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amigável entre a China e a Rússia" foi prorrogado.
O texto define as bases das relações pacíficas, da cooperação económica e da dependência diplomática e geopolítica entre os dois países. Inclui disposições sobre cooperação militar e acordos de defesa.
O tratado, com a duração de 20 anos, foi assinado em 2001 por Putin e pelo então líder chinês Jiang Zemin. Foi prorrogado por mais cinco anos após a sua caducidade, em fevereiro de 2022, e terá sido agora novamente prolongado.