Acomodado numa caixa de exposição em madeira, o presente vinha com uma placa que dizia: "Gümüşay, a primeira arma de fogo do tipo revólver produzida no nosso país".
O presidente turco Recep Tayyip Erdoğan ofereceu aos líderes da NATO uma prenda de despedida pouco habitual após a cimeira da Aliança de 2026 desta semana: um revólver antigo.
Cada líder da NATO recebeu um revólver Magnum .357 gravado e munições reais após a reunião em Ancara, realizada entre 7 e 8 de julho, na qual os aliados reafirmaram o compromisso com o Artigo 5.º.
A oferta, bastante elaborada, foi personalizada para cada destinatário, com o nome próprio e a bandeira turca gravados, e incluía uma dispensa dos controlos de exportação.
A arma vinha numa caixa expositora de madeira, acompanhada de uma placa com a inscrição: "Gümüşay, a primeira arma de fogo do tipo revólver produzida no nosso país".
Eis o que os líderes tencionam fazer com a prenda.
Alemanha
Segundo a Agência de Imprensa Alemã (DPA), o chanceler Friedrich Merz entregou o revólver à embaixada da Alemanha em Ancara, que irá organizar o transporte para Berlim.
Chegado a Berlim, deverá integrar a coleção de ofertas de Estado do governo.
Um porta‑voz do governo explicou à DPA: «O revólver foi entregue à embaixada para que possa ser devidamente importado e depois integrado no inventário de ofertas oficiais».
Na Alemanha, existem restrições legais à aceitação de presentes relacionados com o cargo por parte de responsáveis governamentais e deputados.
Membros do governo, em funções ou antigos, têm de declarar este tipo de ofertas ao executivo, que decide o destino a dar‑lhes. Os deputados devem declarar à presidência do Parlamento os presentes recebidos no exercício das funções e entregá‑los se o valor material ultrapassar os 200 euros. Podem pedir para ficar com a oferta, desde que paguem ao Tesouro Federal um montante equivalente.
Espanha
O primeiro‑ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que a arma foi encaminhada para o Ministério do Interior.
Deverá ser desativada pelo Serviço de Intervenção de Armas da Guardia Civil.
Portugal
Luís Montenegro, primeiro-ministro português, terá entregue a arma às autoridades, que irão realizar uma análise forense ao revólver.
Segundo uma fonte do gabinete de Montenegro, citada pelo jornal Público, a arma em questão foi entregue à equipa de segurança do primeiro-ministro, tendo sido esta que a transportou para Portugal.
O revólver encontra-se presentemente no Departamento de Armas e Explosivos da polícia, onde será realizada a necessária análise forense para determinar o enquadramento legal aplicável.
Polónia
Marcin Przydacz, Secretário de Estado da Polónia, declarou que o revólver será armazenado em local "apropriado", de modo a garantir a sua segurança e a prestigiá-lo.
Foi também indicado que a arma em questão já passou pela alfândega e cumpriu todas as verificações exigidas.
"É verdade que o presidente da Turquia ofereceu a cada um dos seus convidados uma prenda deste tipo. Não sei ao certo se é uma réplica ou uma peça original. De certeza que ninguém a vai utilizar para disparar", acrescentou.
Bélgica
O primeiro‑ministro belga terá ficado surpreendido ao descobrir a "natureza exata" da oferta apenas depois de regressar à Bélgica.
Bart De Wever terá entregue a arma à polícia aeroportuária à chegada.
A equipa de segurança de De Wever terá igualmente tratado dos revólveres oferecidos aos responsáveis da União Europeia, Ursula von der Leyen e António Costa.
Numa publicação na plataforma X, von der Leyen agradeceu a Erdoğan o "acolhimento caloroso" e salientou a parceria estratégica entre a UE e a Turquia.
"Num mundo mais desafiante, a nossa parceria é mais importante do que nunca", escreveu.
Itália
Segundo fontes governamentais italianas, o revólver foi apreendido e registado no Palácio Chigi, como acontece com todas as ofertas à primeira‑ministra.
Grécia
O primeiro‑ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, decidiu doar o revólver ao Museu da Guerra de Atenas.
Reino Unido
O primeiro‑ministro britânico, Keir Starmer, terá deixado a arma na Turquia, aos cuidados de responsáveis britânicos, onde deverá ser desativada antes de ser enviada para o Reino Unido.
Canadá
O primeiro‑ministro canadiano, Mark Carney, brincou dizendo que a oferta do seu país, xarope de ácer, "ficava muito aquém" da arma antiga, que afirmou estar a ser desativada.
"Isto é algo para o museu da guerra", acrescentou. "É interessante e tem relação com a NATO".