Macron deslocou-se quinta-feira à floresta de Fontainebleau para agradecer aos mil bombeiros, militares e civis mobilizados no auge dos incêndios que destruíram cerca de 10 % da mata franciliana.
"Quero que a mensagem seja clara aqui, como em todo o território francês. Não haverá tolerância e seremos implacáveis," declarou o presidente da República de França, Emmanuel Macron. "Porque são vidas que ficam em risco, porque é o nosso território nacional que é atacado sempre que deflagra um fogo", sublinhou.
Emmanuel Macron deslocou-se esta quinta-feira a Noisy-sur-École, ao centro de comando responsável pelo combate aos incêndios que devastaram a floresta de Fontainebleau.
No local, o presidente da República francesa abordou a gestão desta crise, agora que os fogos estão dominados. Insistiu no acompanhamento judicial das investigações sobre as múltiplas ignições de incêndios "em todos os casos em que há negligência ou comportamentos criminosos."
Esta quinta-feira, cinco pessoas estavam sob detenção policial no âmbito destas investigações. Duas delas, homens de 19 anos, reconheceram ser responsáveis por incêndios distintos e foram presentes à justiça.
Quanto ao primeiro, terá provocado acidentalmente um incêndio ao deitar fora uma ponta de cigarro. O segundo, um jovem bombeiro voluntário, admitiu ter ateado um fogo com recurso a gasolina e a um isqueiro.
Balcão único para receber donativos
Macron explicou igualmente que vários planos estão em curso "para que a vida possa voltar ao normal em todo o território".
"Vamos fazer o máximo para reabrir os grandes eixos, para reabrir o comércio," explica. Uma mobilização para "replantar e reconstruir esta floresta" vai ser organizada."A cidade de Fontainebleau, o ONF [Office National des Forêts] e a Fundação do Património vão lançar, nas próximas horas, um balcão único para recolher a solidariedade nacional."
Quase 10% da floresta de Fontainebleau foi reduzida a cinzas, cerca de 2.000 hectares.
Reforço de meios de combate aos incêndios
Emmanuel Macron respondeu também às críticas segundo as quais o executivo teria reduzido os meios da proteção civil. O partido La France Insoumise acusa o governo de ter anulado, em 2024, a encomenda de dois Canadair.
"Não esperámos por esta crise. Há nove anos que estamos a reforçar a proteção civil."
"Em 2017 já não se produziam Canadair. Não havia polémica na altura sobre se eram dois, quatro ou seis. Produziam-se zero," explica. "Relançámos a produção de Canadair em França mobilizando os outros europeus, fazendo encomendas, juntando seis países europeus."
Na verdade, seis países da União Europeia – França, Grécia, Itália, Croácia, Espanha e Portugal – encomendaram 22 aviões bombardeiros de água ao construtor canadiano De Havilland. Dois têm como destino a França, com entrega prevista para 2028.
França dispõe atualmente de dois modelos de aviões bombardeiros de água para combater os incêndios: doze Canadair, que se abastecem em massas de água, e oito Dash, carregados em terra.
Em situação de crise, o Estado aluga também aviões e helicópteros bombardeiros de água suplementares. No total, o país conta com "cerca de quarenta" meios disponíveis, segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
Na floresta de Fontainebleau foram mobilizados três Canadair, um Dash e dois helicópteros bombardeiros de água. Foi a primeira vez que um dispositivo desta dimensão foi acionado na região de Île-de-France.
Mobilização continua
Em paralelo, quase 1.000 bombeiros foram mobilizados no auge da crise. Estiveram igualmente presentes mais de 140 militares.
Emmanuel Macron agradeceu aos eleitos locais que asseguraram a gestão das evacuações, bem como aos agricultores que apoiaram os bombeiros.
"No fundo, foi a seleção de França que resistiu," declarou Macron. "Quero dizê-lo aqui com convicção. Graças à vossa mobilização aqui em Seine-et-Marne, na região de Île-de-France, [...] não houve vítimas. E isso é verdadeiramente um feito, graças a vocês."
O presidente da República francesa sublinhou que a mobilização continua. "Já batemos todos os recordes e estamos apenas a meio de julho. A época dos incêndios ainda está por vir."