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Ucrânia: Zelenskyy demite comandante das Forças Armadas

Ativistas seguram um retrato do comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia, Oleksandr Syrskyi, exigindo a sua demissão. Kiev, Ucrânia, 18 de julho de 2026.
Ativistas seguram um retrato do comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia, Oleksandr Syrskyi, exigindo a sua demissão. Kiev, Ucrânia, 18 de julho de 2026. Direitos de autor  Efrem Lukatsky/Copyright 2026 The AP. All rights reserved.
Direitos de autor Efrem Lukatsky/Copyright 2026 The AP. All rights reserved.
De Sasha Vakulina & Euronews
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Sob pressão da sociedade civil e de protestos em toda a Ucrânia, Zelenskyy substituiu na terça-feira o general Syrskyi por Mykhailo Drapatyi como comandante-chefe do Exército ucraniano.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, demitiu o general de quatro estrelas Oleksandr Syrskyi do cargo de comandante‑chefe e nomeou o major‑general Mykhailo Drapatyi para o substituir, já no quinto ano da guerra total da Rússia contra a Ucrânia.

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Zelenskyy anunciou a decisão após vários dias de protestos em grande escala em todo o país, desencadeados pela demissão do ministro da Defesa Mykhailo Fedorov, motivada pelo que descreveu como um confronto cada vez mais aceso com o general Syrskyi.

Segundo Zelenskyy, depois de numerosas consultas com o comando militar nos últimos dias, foi “definido como será reorganizada a estrutura do Estado‑Maior General das Forças Armadas da Ucrânia”.

Zelenskyy também elogiou o general Syrskyi pelo contributo para a defesa da Ucrânia.

“É um facto que Oleksandr Syrskyi garantiu o sucesso da Ucrânia na defesa de Kiev, na ofensiva de Kharkiv e na operação de Kursk”, afirmou Zelenskyy.

“A defesa da Ucrânia continua e cada soldado merece ser tratado com respeito”, acrescentou, numa referência às críticas generalizadas ao estilo de gestão militar de Syrskyi e à falta de apoio dentro das forças armadas.

“Partilhamos todos o mesmo objetivo: derrotar o inimigo, criar condições na linha da frente e exercer pressão suficiente sobre a Rússia para a obrigar a fazer a paz.”

ARQUIVO: Volodymyr Zelenskyy, à esquerda, ouve o relatório do general Oleksandr Syrskyi durante a sua visita a Izium, região de Kharkiv, Ucrânia, quarta‑feira, 14 de setembro de 2022
ARQUIVO: Volodymyr Zelenskyy, à esquerda, ouve o relatório do general Oleksandr Syrskyi durante a sua visita a Izium, região de Kharkiv, Ucrânia, quarta‑feira, 14 de setembro de 2022 AP Photo

O general Drapatyi já tinha elogiado os seis meses de Fedorov à frente do Ministério da Defesa, afirmando que via um esforço genuíno para alterar regras militares antigas e enfrentar problemas que o sistema se habituara a ignorar.

Apoiando a aposta de Fedorov em decisões mais rápidas e numa mudança de abordagem, Drapatyi, tal como Fedorov, tem defendido uma reforma profunda do exército.

“As forças armadas precisam de mudança, mas sem justiça nenhuma mudança fará sentido para as pessoas que carregam esta guerra aos ombros todos os dias”, escreveu o general numa publicação no Facebook na passada quinta‑feira, em apoio a Fedorov, um dia depois da sua demissão.

“Um comandante não tem o direito de ficar calado perante os problemas, sobretudo quando o seu custo se mede em oportunidades perdidas, tempo e vidas humanas”, disse Drapatyi.

“O silêncio não protege o exército, apenas permite que os erros se acumulem até se tornarem muito mais difíceis de corrigir.”

Ucrânia: quem é o novo comandante‑chefe?

O major‑general Mykhailo Drapatyi ganhou fama de favorito entre ativistas da sociedade civil e muitos militares.

Estava à frente das Forças Conjuntas, o novo comando que cobre a linha da frente na região nordeste de Kharkiv e arredores.

Desde que assumiu a responsabilidade pela zona, no outono do ano passado, unidades ucranianas, incluindo a Brigada Khartiia, recuperaram largas faixas de território em torno de Kupiansk, que estava sob ameaça das tropas russas.

Antes disso, Drapatyi comandou o grupo operacional‑estratégico Dnipro (OSUV), um comando oriental alargado que Syrskyi dissolveu em outubro de 2025.

À medida que a primeira invasão russa do leste da Ucrânia se intensificava, em 2014, Drapatyi, então major e comandante de batalhão na 72.ª Brigada Mecanizada, foi enviado para a batalha por Mariupol, cidade que esteve brevemente ocupada pelo exército de Moscovo.

Um veículo blindado da sua unidade ganhou fama duradoura depois de romper uma barricada erguida pelas forças russas numa das principais ruas de Mariupol.

Fedorov: o que acontece agora?

A decisão da semana passada de demitir o ministro da Defesa Fedorov transformou a mais recente remodelação em tempo de guerra de Zelenskyy numa crise política criada pelo próprio.

A saída do ministro reformista e adepto das novas tecnologias — amplamente apoiado pela sociedade civil e dentro das forças armadas — desencadeou de imediato uma onda de indignação. Críticos acusam Zelenskyy de se colocar ao lado de Syrskyi e de hierarquias militares enraizadas em vez de apoiar uma figura associada à transparência, a compras mais limpas e a melhores condições para os soldados.

Dmytro Koziatynskyi, veterano militar e organizador dos protestos, apresentou na segunda‑feira uma lista de exigências ao presidente.

Entre elas estão a demissão de Syrskyi do cargo de comandante‑chefe e a recondução de Fedorov como ministro da Defesa.

“Se até sexta‑feira, 24 de julho, Syrskyi não for demitido e a candidatura de Fedorov ao cargo de ministro da Defesa não for apresentada, iniciaremos um protesto geral e por tempo indeterminado”, avisou.

Zelenskyy não voltou a comentar um eventual regresso de Fedorov ao Ministério da Defesa depois de anunciar a decisão de afastar Syrskyi.

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