A Agência de Segurança Interna e a polícia detiveram em Varsóvia um cidadão russo suspeito de preparar o homicídio de um homem com dupla nacionalidade, americana e ucraniana, informou o primeiro-ministro do país, Donald Tusk.
A Polónia deteve um cidadão russo acusado por Varsóvia de planear assassinar um cidadão com dupla nacionalidade ucraniana e americana na capital polaca, sob ordens de Moscovo, anunciou na quinta-feira o primeiro-ministro Donald Tusk.
Tusk disse aos jornalistas que o suspeito tinha sido detido na passada sexta-feira.
"Ele era um incómodo do ponto de vista do regime de Putin e, no último momento... conseguimos impedir esta execução", acrescentou.
"Esta é a primeira situação deste tipo em que alguém, agindo sob ordens russas, decidiu levar a cabo um ataque contra um cidadão americano no território de outro país da NATO", acrescentou.
Tusk afirmou que agentes da Agência de Segurança Interna da Polónia (ABW) e da polícia tinham detido o suspeito, com a colaboração dos serviços secretos norte-americanos.
"Temos de partir do princípio de que o regime de Putin tentará eliminar pessoas que sejam incómodas por várias razões", afirmou o primeiro-ministro polaco.
Varsóvia, acrescentou Tusk, "provavelmente voltará a ser alvo de pressões semelhantes".
A Polónia, um Estado-membro da NATO e da UE situado no flanco oriental da aliança, acusou a Rússia de "sabotagem" em várias ocasiões desde a invasão em grande escala da Ucrânia por Moscovo, em 2022.
Em junho, o caricaturista russo e crítico de Putin, Semyon Skrepetsky, cujo nome verdadeiro era Robert Kuzovkov, foi morto a tiro no leste da Polónia. Tusk classificou posteriormente o homicídio como um "assassinato político".
Por sua vez, em novembro passado, uma linha ferroviária que liga Varsóvia ao sudeste da Polónia foi danificada por uma explosão que Tusk classificou como um "ato de sabotagem sem precedentes".
Tusk afirmou que a linha é "de importância crucial para a entrega de ajuda à Ucrânia".
Vários opositores das autoridades russas foram vítimas de ataques no estrangeiro, nomeadamente no Reino Unido, na Alemanha e na Lituânia.
Moscovo sempre negou qualquer envolvimento nestes ataques.