O anúncio surge depois de o presidente dos EUA ter apelado à Ucrânia que suspendesse os ataques à infraestrutura russa de combustível, numa viagem à Irlanda no fim de semana.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta segunda‑feira que tanto Kiev como Moscovo concordaram em suspender os ataques contra alvos energéticos, numa altura em que procura desviar a responsabilidade pela subida dos preços dos combustíveis da guerra com o Irão para a guerra na Ucrânia.
“A Ucrânia concordou em não atacar alvos energéticos russos. A Rússia concordou em fazer o mesmo!”, escreveu Trump numa publicação na sua conta na rede Truth Social.
“A subida do preço do gasóleo no mundo deve‑se sobretudo à guerra entre a Rússia e a Ucrânia, não ao Irão”, acrescentou.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, sugeriu que nenhum acordo foi ainda oficialmente confirmado, mas que a Ucrânia “propôs que os seus parceiros garantissem um entendimento com a Rússia que ponha fim à destruição de infraestruturas críticas”.
“Se os nossos parceiros estiverem preparados para assegurar que a Rússia se abstém, de facto, de atacar o nosso sistema elétrico, outras instalações energéticas, infraestruturas críticas e rotas de abastecimento de alimentos, então, naturalmente, estamos prontos a garantir a suspensão correspondente dos nossos ataques”, acrescentou.
Embora ambos os conflitos tenham provocado choques significativos nos mercados energéticos mundiais, especialistas têm apontado a guerra no Médio Oriente como responsável por uma perturbação muito mais extensa no abastecimento global de petróleo.
Os preços do petróleo dispararam desde o início do conflito, no final de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irão.
As forças iranianas praticamente encerraram o Estreito de Ormuz, um dos corredores de trânsito de petróleo e gás mais importantes do mundo, em resposta aos ataques, atirando os mercados de energia para o caos.
O estreito, que costuma assegurar cerca de um quarto do comércio mundial de petróleo transportado por mar, mantém‑se no centro das negociações entre Washington e Teerão, e continuam a registar‑se ataques a navios que atravessam essa passagem.
O anúncio de Trump surge depois de, numa viagem à Irlanda no fim de semana, ter apelado a Kiev para que suspendesse os ataques contra a infraestrutura russa de gasóleo.
Falando aos jornalistas, Trump declarou: “Zelenskyy tem de fazer uma coisa. Tem de deixar de destruir gasóleo na Rússia.”
“Que ataque outros alvos, mas não o combustível, porque está a provocar uma escassez de combustível”, prosseguiu.
A Ucrânia intensificou, nos últimos meses, os ataques contra instalações energéticas russas, no quadro das “sanções de longo alcance” de Zelenskyy, destinadas a desgastar a economia russa e a travar a máquina de guerra do Kremlin.
Por seu lado, a Rússia tem lançado ataques repetidos contra a infraestrutura energética ucraniana desde o início da invasão em grande escala do país, em fevereiro de 2022, numa tentativa de Moscovo forçar Kiev à submissão, sobretudo durante os períodos de inverno.
A escalada do preço do petróleo traduziu‑se em custos de combustível mais elevados para os norte‑americanos antes das decisivas eleições intercalares de novembro, que vão determinar a composição do Congresso nos dois últimos anos do mandato de Trump.
Numa publicação na rede X, esta segunda‑feira, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, democrata, criticou o secretário da Energia dos EUA, Chris Wright, pela subida dos custos.
“Toda a gente sabia que a guerra de Trump com o Irão iria perturbar o Estreito de Ormuz e fazer disparar os custos”, escreveu. “Então porque é que o secretário da Energia, @SecretaryWright, nada fez para nos proteger?”
“Os norte‑americanos têm direito a respostas sobre o que sabia a administração Trump e por que falhou em proteger‑nos destas consequências previsíveis”, acrescentou.