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Dezenas de mortos em colisão entre dois comboios de alta velocidade em Espanha

Imagens dos comboios acidentados
Imagens dos comboios acidentados -  Direitos de autor  Juanma Jiménez/Europa Press via AP
Direitos de autor Juanma Jiménez/Europa Press via AP
De Euronews
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A colisão ocorreu entre as localidades de Los Yébenes e Urda, em Toledo. As autoridades locais informam que o balanço de vítimas poderá ser superior ao conhecido até ao momento.

Pelo menos 30 pessoas morreram e 50 ficaram gravemente feridas na colisão entre dois comboios de alta velocidade ocorrida esta quarta-feira perto da estação de Urda, na província espanhola de Toledo, de acordo com as informações oficiais disponíveis. Mais de 500 pessoas viajavam nos dois comboios sinistrados.

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Já a imprensa espanhola, com base em informação veiculada pelos serviços de Proteção Civil e Emergências, fala em pelo menos 46 vítimas mortais e mais de 179 feridos.

Segundo o presidente de Castela-Mancha, Emiliano García-Page, citado pela agência EFE, contabilizam-se 30 feridos com problemas de saúde considerados agudos, mas que não estão em risco de vida (nível verde), e outros 50 tidos como urgentes, mas cuja condição é estável (nível amarelo). Existem ainda vários outros ferimentos classificados com nível vermelho.

A colisão ocorreu entre as localidades de Los Yébenes e Urda, em Toledo, às 8h54 locais (menos uma hora em Portugal continental), mais concretamente no troço entre Mora/Orgaz e Urda, perto do quilómetro 118, num troço em linha reta com boa visibilidade.

Antes disso, a porta-voz do governo de Castela-La Mancha, Esthter Padilla, tinha confirmado à TVE dez vítimas mortais, mas admitiu que o número, "com toda a segurança", viria a aumentar, à medida que os serviços de emergência e os bombeiros prosseguiam com os esforços de resgate. Indicou ainda que os comboios afetados são o Iryo 7076, com 146 passageiros a bordo e mais um bebé, e o AVE 2080, da Renfe, com 397 passageiros a bordo. Ambos circulavam na linha Madrid-Sevilha.

Testemunhas presentes no local relataram que ambos os comboios estavam parados no momento em que o AVE 2080 arrancou a grande velocidade, tendo posteriormente colidido com o referido comboio da empresa Iryo.

Há registo de vários desaparecidos, entre os quais Fátima Báñez, antiga ministra do Trabalho de Espanha durante o governo de Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP).

Em nota publicada no site da Presidência da República, o chefe de Estado português, António José Seguro, disse ter enviado "uma mensagem de pesar a Sua Majestade o Rei Felipe VI, após ter tomado conhecimento, com profunda consternação, do grave acidente ferroviário ocorrido hoje na província de Toledo".

"Em nome pessoal e no do povo português, o Presidente da República apresenta sentidas condolências às famílias enlutadas e a todo o povo espanhol, bem como votos de rápida recuperação aos feridos", lia-se ainda no comunicado.

Já o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, endereçou já, em "nome do Governo e do povo de Portugal", uma mensagem de "condolências e profunda solidariedade às famílias das vítimas do grave acidente ferroviário em Toledo", partilhada no X.

"Deixo aos espanhóis, às suas autoridades e a todas as equipas a trabalhar nas operações a nossa disponibilidade para o que for necessário e o desejo de uma rápida recuperação aos feridos e a todos aqueles que foram afetados por esta tragédia", referiu ainda na publicação.

Na mesma rede social, o Ministério dos Negócios Estrangeiros expressa também "a solidariedade do povo e do governo português com todo o povo espanhol".

Indica-se ainda, por essa via, que o ministro Paulo Rangel já transmitiu o seu homólogo, José Manuel Albares, "as mais sentidas condolências pelas vítimas mortais do trágico acidente ferroviário".

A Euronews tentou confirmar, junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros, a existência de portugueses entre as vítimas, mas não obteve resposta até ao momento.

O que se sabe sobre o acidente

Segundo a Renfe, o comboio 2080 colidiu com o Iryo 6076 à entrada da estação de Urda. As duas carruagens traseiras do comboio da Iryo descarrilaram, enquanto os serviços de emergência se dirigiam para o local do acidente.

A colisão obrigou à suspensão do tráfego ferroviário em ambos os sentidos na linha de alta velocidade entre Madrid e a Andaluzia, segundo a Administração de Infraestruturas Ferroviárias (Adif).

Fontes do governo central espanhol e de Castela-La Mancha, citadas pelo El País, admitem que pode ser "pior do que Adamuz", acidente ferroviário que vitimou 46 pessoas no início do ano em território espanhol.

Foto de @JosemaVallejo
Foto de @JosemaVallejo X @JosemaVallejo

As mesmas fontes, citadas pelo jornal, apontam para que tenha havido um erro humano: após uma falha no sistema de segurança, oito comboios tiveram ordem para parar naquela zona. Quando tiveram luz verde para voltar a arrancar, um dos comboios não conseguiu fazê-lo, mas um funcionário do centro de controlo de Atocha, em Madrid, não terá dado indicação ao comboio que se encontrava na mesma linha para voltar a parar, pelo que este acabou por colidir com o outro por trás.

Entretanto, numa publicação no X, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou estar "consternado com o grave acidente de comboios em Toledo", tendo garantido um "contacto permanente com o ministro dos Transportes" do país, bem como com o presidente da Junta de Comunidades de Castela-La Mancha, Emiliano García-Page.

O chefe do Governo de Espanha, que cancelou a sua agenda para esta quarta-feira, disse ainda que os "serviços de emergência estão a trabalhar no terreno para auxiliar as pessoas afetadas e garantir a sua segurança", em coordenação com as autoridades competentes. Endereçou também uma mensagem de "carinho, solidariedade e apoio a todas as vítimas e às suas famílias".

Já o ministro espanhol dos Transportes, Óscar Puente, escreveu no X que está a tentar "obter toda a informação possível" e deslocou-se já para o centro de controlo do tráfego ferroviário em Espanha, na estação de Madrid-Puerta de Atocha. E a ministra da Saúde do país, Mónica García, descreveu o incidente como um "acidente de grande impacto", salientando que se trata provavelmente de uma "grande tragédia".

Por sua vez, a Casa Real manifestou as suas condolências às pessoas afetadas por este novo acidente na rede ferroviária espanhola. O rei Felipe VI pronunciou-se para lamentar a tragédia e transmitir as suas condolências e apoio às famílias. O monarca, que se encontrava em Valência, na base militar, deslocar-se-á ao local do acidente.

A Guardia Civil já enviou para o local do acidente, desde Madrid, uma equipa de gestão de grandes catástrofes do seu serviço criminal (SECRIM). Do dispositivo de assistência mobilizado para o local fazem também parte os serviços de emergência de Castela-La Mancha, os bombeiros, a Proteção Civil e profissionais de saúde, que auxiliarão no posto médico avançado montado no local para prestar assistência às vítimas.

Por outro lado, o Ministério do Interior ativou a mobilização da Unidade Militar de Emergência (UME) para prestar apoio às operações de salvamento e elevou o nível do plano de emergência para 2, o segundo mais elevado.

Entretanto, o Ministério da Defesa do país confirmou a mobilização de cerca de 100 membros desta unidade para o local do acidente em Los Yébenes, disponibilizando recursos de busca e salvamento, unidades caninas e equipamento de desencravamento, bem como equipas de apoio médico e psicológico.

A Renfe, operadora pública da rede ferroviária espanhola, disponibilizou, entretanto, o número 900 10 10 20 para os afetados e familiares dos afetados. A empresa anunciou ainda que os passageiros afetados pelas alterações nos serviços entre Madrid, Ciudad Real e a Andaluzia poderão solicitar alterações e cancelamentos gratuitos.

Segundo acidente grave em Espanha desde o início do ano

O acidente desta quarta-feira em Toledo ocorre meses depois da tragédia ferroviária de 18 de janeiro de 2026 em Adamuz, Córdoba, na qual morreram 46 pessoas. Um comboio descarrilou e colidiu com outro que vinha em sentido contrário.

Essa ocorrência, a mais grave da história ferroviária espanhola até então, voltou a colocar a segurança das infraestruturas no centro do debate, tendo abalado a confiança que este país europeu deposita na sua extensa rede ferroviária de alta velocidade.

Atualmente, a investigação aponta para uma possível causa técnica, como a rutura dos carris ou de uma soldadura, e analisa também a manutenção e a supervisão da infraestrutura. A Guardia Civil descartou indícios de sabotagem ou de um ataque externo. A investigação judicial e a análise técnica continuam em curso.

Esse tinha sido o acidente mais mortífero em Espanha desde 2013, quando 80 pessoas perderam a vida.

*Em atualização

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