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Oposição russa festeja união e pequena vitória

Oposição russa festeja união e pequena vitória
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“Muda a Rússia, começa por Moscovo” promoveu o slogan de Alexei Navalny que, apesar de não ter ganho a corrida à Câmara de Moscovo conseguiu uma vitória, consideram muitos analistas, por se ter afirmado como o novo rosto da oposição russa.

Uma coisa é certa, o candidato, que pode regressar à prisão a qualquer momento (é o principal opositor do presidente Vladimir Putin), passou do estatuto de bloguista e de militante, ao de político. Resta saber se conseguirá fortalecer a oposição que Putin fragilizou e marginalizou.

Navalny mobiliza as massas como ninguém. Foi ele quem impulsionou as manifestações de 2011 e 2012, em Moscovo, logo a seguir às legislativas e antes de Putin ser reeleito presidente do país, para denunciar fraudes, manipulações e o controle do poder por parte do clã Putin.

A mobilização prosseguiu depois das presidenciais. Putin decidiu reprimi-las com mão de ferro. Os processos contra membros da oposição multiplicaram-se, como o da praça Bolotnaya, em que 27 pessoas foram acusadas, em maio de 2012, de participar em desordens sucessivas contra as forças da ordem.

Navalny foi perseguido pela presidência: um ano depois, sofreu um processo por mau uso de dinheiro público e acabou condenado, em julho, a cinco anos de prisão. A oposição afirma que as provas do julgamento foram integralmente forjadas.
Com exceção de Navalny, que aguarda o recurso em liberdade, continuam todos atrás das grades, enquanto os apoiantes exigem, nas ruas, a sua libertação. Os protestos são um indicador do crescente mal-estar contra o regime de Putin, no poder desde 1999.
Uma sondagem recente indica que metade da população russa ainda confia no poderoso presidente, mas só 20% o querem ter num quarto mandato.

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As eleições diretas para as câmaras de Moscovo e Yekaterinburg são as primeiras em muitos anos a acontecer na Rússia. Os resultados mostram que a força de Vladimir Putin está a perder terreno para a oposição. À vitória do independentista de Yevgeny Rozyman em Yekaterinburg soma-se o surpreendente resultado de Alexey Navalny na capital russa, onde as sondagens apontavam apenas 9 por cento dos votos e o antigo blogger ultrapassou os 27 por cento.

Connosco, desde Moscovo, para nos falar do impacto na política russa das eleições deste fim de semana, temos o analista político Stanislav Belkovsky

euronews: Porque é que Alexey Navalny não está satisfeito? Ele teve três vezes mais votos do que indicavam as sondagens.
Stanislav Belkovsky: Navalny recorre a métodos de psicologia de massas para motivar os apoiantes, que só em Moscovo são milhares. Ele estudou bem esses métodos e, como político carismático, sabe usa-los. Navalny acredita que a mobilização de apoio apenas é possível através da psicose de massas e é por isso que está constantemente contra tudo. De outra forma, seria simplesmente preso e passados poucos meses seria esquecido. É por isso que Navalny mantém uma certa pressão sobre o atual mayor de Moscovo, obrigando-o a algumas concessões, às quais, contudo, não deve ser relacionada a exigida revisão do resultado destas eleições em Moscovo.

euronews: Pode este resultado eleitoral na capital russa representar uma mudança na política russa, uma evolução? Irá a oposição continuar a poder lutar livremente por eleger representantes ou será que o Kremlin se assustou e vai recomeçar a limitar o espaço de manobra político?
Stanislav Belkovsky: Sem dúvida de que a Rússia entrou naquilo a que podemos chamar de uma segunda era de Perestroika. Não está à vista qualquer crise nem qualquer implementação na Rússia do cenário político que se vive na Bielorrússia. Os Serviços Secretos russos, ao mesmo tempo que veem Gulags (n.: campos de trabalhos forçados russos) em todas as ações do Kremlin, eles bebem cognac nos luxuosos bares de Moscovo. Os resultados conseguidos por Navalny, em Moscovo, e Rozyman, em Yekaterinburg, eram impossíveis há dois anos. Ninguém acreditaria sequer neles. Por isso, isto é a Segunda Perestroika. O Kremlin e o mayor de Moscovo estão preocupados com este “ajustamento” e estão sob pressão. Há duas opções em relação a Navalny: Ou o Kremlin aceita o recurso no final deste mês, absolve-o das acusações de corrupção e permite-lhe uma entrada suave no sistema político; ou decide levar por diante a decisão do tribunal e Navalny vai preso.

euronews: Outro resultado curioso deste fim de semana é exatamente essa vitória do independente Yevgeny Royzman, em Yekaterinburg, a quarta maior cidade da Rússia. Irá o Kremlin deixar o novo mayor trabalhar à vontade?
Stanislav Belkovsky: Penso que uma boa parte da elite política de Yekaterinburg não está muito feliz com o governador Kuyvashev nem com o ambiente que ele criou. Eles estão prontos para se juntar a um novo líder com carisma. Não lhes interessa se ele vai ou não poder trabalhar à vontade. Roizman só tem a ganhar aqui. O mesmo aconteceu com outros políticos independentes que desistiram do Partido Comunista no final dos anos oitenta – na Primeira Perestroika. Mikhail Gorbachev e os seus apoiantes também julgavam que seria fácil controlar os políticos dissidentes que conquistaram posições de relevo após as eleições livres. A história provou-lhes que não. Os políticos que roeram um dos dedos do regime, rapidamente tentaram comer-lhe o braço também. E isso vai acontecer, também, com Royzman. Em Yaketerinburg e em toda a região.