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Letónia adere ao clube euro, apesar de forte oposição popular

Letónia adere ao clube euro, apesar de forte oposição popular
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Numismatas de todo o mundo terão em breve na sua coleção uma nova moeda, o euro letão-personalizado. Apesar de ser um símbolo querido de independência do pequeno estado báltico da ex- União Soviética, a moeda letã, lat, deixará de ser distribuída a partir de 1 Janeiro de 2014. O país, com 2 milhões de pessoas, vai tornar-se o 18º membro da União Europeia a usar o euro.

Os fanáticos por estatísticas serão rápidos a apontar que o estado báltico será o membro mais pobre da área da moeda única, com a maior desigualdade e uma mudança geográfica prejudicial. Talvez! Mas com um crescimento de 5,2% em 2011 e uma previsão de 3,6% para 2013, a Letónia é igualmente o país com o crescimento económico mais rápido da União Europeia. A vontade de aderir à zona euro, um bloco que sofreu dores excruciantes desde o final de 2009, foi bem recebida pelas capitais da zona euro como um sinal de confiança no futuro da união económica e monetária.

Face ao dinamismo económico, o Conselho da União Europeia, que aprovou a entrada da Letónia na zona do euro em 9 de julho de 2013, fez um balanço da resistência do Estado Báltico e do cumprimento dos chamados critérios económicos orientados para a estabilidade. A Letónia sofreu a recessão mais profunda do mundo quando a sua economia encolheu 25% em dois anos, durante a crise global de 2008 e 2009. No entanto, depois do rebentar doloroso da bolha de crédito – quando os salários subiram quase 35% em 2007 – os letões souberam colocar a economia de volta nos trilhos, redirecionar o foco para as exportações e fortalecer a prudência fiscal. As exportações de bens e serviços aumentaram 15,2% no quarto trimestre de 2012, face ao mesmo período no ano anterior, e, apesar da recessão no continente, a Europa era o destino de 60% das exportações da Letónia. O défice fiscal de 2012 valia apenas 1,2% do produto interno bruto e a dívida pública 40,7% do PIB.

Críticos da austeridade argumentam que a Letónia pagou um preço muito elevado: a economia letã perdeu mais de um quinto do seu valor e o desemprego subiu para os 17%. Embora tenha caído para 11,80% no terceiro trimestre de 2013, o desemprego é um problema estrutural, com duas raízes principais: uma grande inadequação de competências, decorrente de um sistema de educação que produz inúmeros licenciados em ciências sociais e apenas alguns, apesar da necessidade crescente, programadores de computadores; e uma fuga de cérebros ininterrupta que começou depois da adesão da Letónia à União Europeia em 2004 e atingiu o pico após a crise financeira de 2008.
Intimamente ligado ao desemprego está o desastre demográfico da Letónia.

“Desastre” não é uma expressão muito forte quando se considera que de um pico de 2,67 milhões de pessoas em 1989, a população letã caiu drasticamente para 2,2 milhões em 2000 e para 2 milhões em 2011. Uma queda de 13% em pouco mais de uma década. O envelhecimento da população, a baixa taxa de fecundidade e a crescente emigração são os responsáveis. Pior ainda: de acordo com um estudo do Ministério da Economia da Letónia, se não se tomarem medidas para combater o êxodo de jovens letões, a população pode cair para 1,6 milhões em 2030.

E depois há os bancos letões, uma verdadeira fonte de preocupação em Bruxelas e em Frankfurt. Cerca de metade dos depósitos representam depósitos de não residentes, muitos deles provenientes da Rússia, Bielorrúsia, Uzbequistão e outros países da ex-União Soviética. As leis que permitem que estrangeiros que compram imóveis caros na Letónia possam solicitar vistos de residência e, consequentemente, lhes dão o direito de viajar por toda a União Europeia, têm atraído centenas de investidores da Rússia e não só.

A Comissão Europeia aconselha a Letónia a acompanhar de perto os fluxos financeiros e insiste que reforce o financiamento e o corpo de serviços, de forma a que a lei seja cumprida e a que se previnam e resolvam “crimes económicos, financeiros, lavagem de dinheiro e evasão fiscal complexos”.

E, ainda, acima de tudo, o estado báltico acrescenta, ao seu desafio de lançamento na zona euro, complicações políticas. Nomeadamente, na nomeação de um novo primeiro-ministro e na realização das eleições parlamentares em outubro de 2014. O ex-primeiro-ministro Valdis Dombrovskis renunciou ao cargo em novembro de 2013 depois de um colapso fatal do tecto de um supermercado em Riga.

Mas enquanto a situação não atenua em Riga e os letões se mantêm fortemente céticos sobre os benefícios de aderir ao euro, o perfil prezado da jovem letã com o traje regional – símbolo histórico da virtude e da justiça tão acarinhado pelos letões – que se encontra no reverso da moeda de 5 lats vai passar a estar no reverso da moeda de 1 e 2 euros. Os numismatas não vão ficar decepcionados!