Euronews is no longer accessible on Internet Explorer. This browser is not updated by Microsoft and does not support the last technical evolutions. We encourage you to use another browser, such as Edge, Safari, Google Chrome or Mozilla Firefox.

Última hora

Última hora

Hungria: Ataques à liberdade de imprensa preocupam Conselho da Europa

Hungria: Ataques à liberdade de imprensa preocupam Conselho da Europa
Tamanho do texto Aa Aa

No documento é feita uma análise ao panorama dos meios de comunicação na Hungria e o cenário é pouco positivo. Um dos destaques é a chamada “taxa de publicidade”, que para o comissário serve apenas para condicionar o trabalho e a liberdade dos meios de comunicação.

As autoridades europeias exigem por isso que Budapeste tome medidas para contrariar esta tendência de ameaças e pressões sobre os jornalistas.

O relatório do Conselho da Europa destaca, também pela negativa, a repetição de manifestações anti-semitas e a constante discriminação da comunidade cigana. Apesar do governo de húngaro ter condenado estes casos, no parlamento é tolerada a presença do partido de extrema-direita Jobbik, conhecido por cooperar com grupos paramilitares que intimidam as minorias.

Sandor Zsiros, Euronews:
“Visitou a Hungria em julho. Acredita que os húngaros têm acesso a uma informação livre e justa?”

Nils Muižnieks, Comissário Direitos Humanos, Conselho da Europa:
“Antes de mais, acredito que a legislação prevê sanções muito severas para os jornalistas que a violem…o que não deveria ser aceite. Há um efeito na liberdade de imprensa e na liberdade de expressão das pessoas. Além disso, a difamação deveria ser descriminalizada e a multa deveria ser proporcional. Existem ainda regras para a publicidade que visam atingir um meio de comunicação, apenas uma televisão é afetada por essas restrições.”

Sandor Zsiros, Euronews:
“Os jornalistas conseguem trabalhar com esta pressão política?”

Nils Muižnieks, Comissário Direitos Humanos, Conselho da Europa:
“Já me chegaram vários relatórios sobre as pressões: alguns editores a serem despedidos depois de fazerem reportagens críticas sobre o partido no poder; processos por difamação contra jornalistas de investigação. Existem pressões que são incompatíveis com a intenção do governo húngaro de promover o pluralismo dos meios de comunicação.”

Sandor Zsiros, Euronews:
“Acredita que a chamada “taxa de publicidade” é simplesmente uma questão financeira ou é política?”

Nils Muižnieks, Comissário Direitos Humanos, Conselho da Europa:
“Acredito que já se tenha tornado num problema político no contexto alargado das alterações da legislação dos meios de comunicação e do pluralismo. E quando afeta mais um meio de comunicação que os outros ou afeta apenas um meio, devem ser levantadas várias questões para perceber o porquê destas decisões.”

Sandor Zsiros, Euronews:
“O governo húngaro condena os discursos racistas e anti-semitas, mas acredita que é sufiente para evitar a discriminação e o extremismo?”

Nils Muižnieks, Comissário Direitos Humanos, Conselho da Europa:
“Estou preocupado com a presença, no parlamento húngaro do partido de extrema direita Jobbik, que com frequência defende posições anti-semitas e contra a comunidade cigana.
Mas também pela cooperação deste partido com grupos civis paramilitares que se envolvem em ações de intimidação contra a comunidade cigana e outras minorias.”

Sandor Zsiros, Euronews:
“Como vê a situação dos refugiados e de quem pediu asilo na Hungria?”

Nils Muižnieks, Comissário Direitos Humanos, Conselho da Europa:
“A política mais problemática, na minha opinião, é a frequente detenção de quem pede asilo. Parece arbitária. Não é claro porque é que algumas pessoas são detidas e outras não. E as alternativas à detenção são limitadas. Acredito que a Hungria necessita desenvolver políticas de integração a longo prazo. Caso contrário, a migração vai parar e quem pede asilo tenta ir para outro país porque não encontram oportunidades de integração na sociedade húngara.”