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Foi a China que tornou o ouro mais baço?

Foi a China que tornou o ouro mais baço?
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Durante a última semana, o preço do ouro caiu, perdendo 4% do seu valor. Segundo a Morgan Stanley, o metal precioso pode vir ainda a despenhar-se de cerca de 1100 dólares por onça para menos de 900. Muitos atiram as responsabilidades diretamente à China.

Temos de olhar para esta retração tendo em conta a progressão do ouro ao longo da primeira década do século 21.

Pela primeira vez em seis anos, o banco central da China divulgou a quantidade de reservas em ouro que possui. E os números que apresentou desapontaram os investidores, uma vez que as reservas são menores do que o esperado, demonstrando uma procura mais fraca por parte de Pequim.

Aquele que era considerado como um investimento seguro passou a gerar dúvidas no mercado, até porque existe também a possibilidade de a Reserva Federal americana aumentar as taxas de juro no final do ano.

Há, portanto, várias questões em jogo. Mas alguns analistas prevêem já o fim de uma era no que diz respeito ao valor dos metais preciosos.

O ouro arrisca perder o brilho?

Foi uma semana, no mínimo, turbulenta para o mercado do ouro: no dia 20 de julho, o valor do metal precioso desceu 4%, atingindo mínimos de 5 anos.

Era incontornável a associação com o anúncio feito em Pequim pouco antes. Desde 2009 que o banco central chinês não divulgava a quantidade de reservas de ouro que possui. Fê-lo agora, revelando que o estoque de ouro chinês cresceu apenas 60% de há seis anos para cá, atingindo 1650 toneladas, bastante aquém das expetativas da generalidade dos investidores, que esperava que o país concretizasse uma maior procura.

Recorde-se que em outubro a China vai saber se a sua moeda nacional, o yuan, passa a integrar o cabaz de moedas que compõem a divisa interna do Fundo Monetário Internacional.

Ao mesmo tempo, os números do desemprego nos Estados Unidos atingiram o nível mais baixo desde 1973, reforçando as previsões de que a Reserva Federal americana se prepara para subir as taxas de juro em setembro.

Após ter caído para 1077 dólares por onça, o ouro abriu esta semana outra vez acima dos 1100 dólares.

A opinião de Nour Eldeen Al-Hammoury, da ADS Securities

euronews:Tendo em conta o declínio ocorrido na semana passada, qual a análise a fazer sobre o contexto atual e sobre o futuro do mercado do ouro?

Nour Eldeen Al-Hammoury:A queda recente tem diretamente a ver com o anúncio das reservas de ouro na China, que são inferiores ao que o mercado esperava. Do ponto de vista técnico, o ouro manteve uma subida contínua durante quase 12 anos, mesmo durante o período de crise financeira, atingindo os 1920 dólares por onça, quando em 2001 se situava nos 251 dólares.

É verdade que os preços têm vindo a decair. Mas, como analistas, temos de olhar para esta retração tendo em conta a progressão ao longo da primeira década do século 21. A queda do valor do ouro foi notória, mas ao mesmo tempo assistimos a uma recuperação no início desta semana, o que nos dá uma indicação positiva para o longo prazo. No entanto, se houver um novo declínio que atire os preços para baixo da fasquia dos 900 dólares, isso representaria um rácio de mais de 61% em relação às subidas acumuladas ao longo de 12 anos, quando agora está nos 50%. É por isso que os investidores estão a recuar nos investimentos no mercado do ouro.

euronews:Os fundos de investimento em ouro estão a atingir mínimos históricos. Porquê?

Nour Eldeen Al-Hammoury:É uma tendência normal, tendo em conta a subida do dólar e o dinamismo recente nos nos mercados globais. Os rendimentos dos mercados acionistas são, neste momento, mais avultados do que os obtidos no mercado do ouro. Daí que os corretores estejam a apostar mais em ações e títulos do que no ouro.

euronews:É sabido que, quando há receios de abrandamento económico, os investidores centram-se no mercado do ouro. Isso é algo que vai mudar? Qual é o contexto no Médio Oriente?

Nour Eldeen Al-Hammoury:Há um fator importante que temos de sublinhar: o valor do ouro continua o mesmo. As quedas recentes dos preços têm a ver com uma maior solidez do dólar, que tem afetado outras matérias-primas também. Os investidores e os corretores estão sempre à procura de oportunidades para comprar a preços mais baixos. Foi isso que aconteceu a semana passada no Médio Oriente. Nos Emirados Árabes Unidos, houve uma procura significativa de ouro, o que é compreensível. Aconteceu da última vez que o valor caiu. Esta queda coincidiu com o fim do Ramadão, portanto permitiu a muita gente comprar presentes a preços mais reduzidos.

euronews:Que conselhos é possível, neste momento, dar aos investidores?

Nour Eldeen Al-Hammoury:Nós costumamos aconselhá-los a diversificar o mais possível os portefólios, sem se concentrarem num só mercado ou produto. É preciso apostar em ações, em títulos, em divisas, em mercadorias, no sentido de reduzir os riscos inerentes. A volatilidade dos mercados é uma realidade. As alterações podem surgir de um momento para o outro, como aconteceu com o ouro ou com o dólar.