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Porto perde Agência Europeia do Medicamento para Amesterdão

Porto perde Agência Europeia do Medicamento para Amesterdão
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Amesterdão é a escolhida para futura cidade-sede da Agência Europeia do Medicamento. O organismo está de saída de Londres por causa do “brexit” e a candidatura holandesa acabou por vencer a finalíssima, por moeda ao ar, diante da favorita Milão, vencedora das duas primeiras rondas, como única adversária.

O Porto era um dos 16 candidatos a albergar a EMA (sigla original, em inglês), uma ambicionada instituição europeu que garante empregos, prestígio e investimento ao Estado-membro eleito. Milão, Amesterdão e Copenhaga passaram à segunda ronda de votações, com a italiana e a holandesa a protagonizarem o duelo final. A Invicta acabou por ficar em sétimo logo na primeira ronda de negociações.


A eleição decorreu durante a reunião do Conselho de Assuntos Gerais da UE, com a presença da secretária de Estado dos Assuntos Europeus, a portuguesa Ana Paula Zacarias, e a participação de 27 Estados-membros — o Reino Unido, por razões óbvias, já não teve voto na matéria.

Na primeira volta, cada Estado-membro podia atribuir três, dois e um ponto entre as candidaturas, havendo uma vencedora se recolhesse o apoio máximo de pelo menos 14 votantes. Caso contrário, haveria uma segunda ronda de votação com as três mais votadas e uma eventual terceira com um duelo final.

Milão, Amesterdão e Copenhaga foram as três finalistas, com a cidade italiana a receber 25 pontos na primeira ronda de votações e as candidaturas holandesa e dinamarquesa a conseguirem cada 20 pontos.

Além do Porto, Milão, Amesterdão e Copenhaga, eram candidatas a sediar a EMA as cidades de Atenas (Grécia), Barcelona (Espanha), Bona (Alemanha) Bratislava (Eslováquia), Bruxelas (Bélgica), Bucareste (Roménia), Helsínquia (Finlândia), Lille (França), Sófia (Bulgária), Estocolmo (Suécia), Varsóvia (Polónia) e Viena (Áustria). Malta, que não especificou cidade, Zagreb (Croácia) e Dublin (Irlanda) desistiram antes mesmo da votação.

Na primeira volta da votação, o Porto recolheu dez votos, tendo sido a sétima cidade mais votada, a par de Atenas, e atrás também de Bratislava (15), Barcelona (13) e Estocolmo (12).

Os outros candidatos que se apresentaram a votos eram Bona (Alemanha), Lille (França) e Sófia (tiveram todas 3 votos); Viena (4), Bruxelas e Helsínquia (ambas com 5 votos); Bucareste e Varsóvia (7).

Na segunda ronda de votações, de acordo com fontes citadas pela Reuters, Copenhaga ficou-se pelos cinco votos e também foi eliminada, enquanto Milão terá ficado a apenas dois votos do triunfo, conseguindo 12 votos contra nove para Amesterdão.

Por fim, sem consenso, teve de ser uma moeda a ditar o destino da sede da EMA e a Holanda foi a mais sortuda.

A EMA, cuja localização em Londres terá de mudar devido à saída do Reino Unido da UE, conta atualmente com 890 trabalhadores e recebe cerca de 35 mil representantes da indústria por ano.

De acordo com um estudo da Deloite, pedido pelo Infarmed, a perda da EMA priva Portugal de 5300 postos de trabalho e de 1,3 mil milhões de euros, valor estimado pelo impacto da agência na economia nacional até 2030, incluindo eventuais receitas fiscais a serem geradas na ordem dos 164 milhões de euros.

Ainda devido ao “brexit”, a UE escolhe também uma nova cidade para albergar a sede da Autoridade Bancária Europeia (EBA, sigla original em inglês), organismo que redige as regras a serem implementadas pelo Banco Central Europeu nos testes de esforço ao setor bancário dos parceiros europeus.

Antes da votação, o presidente do Conselho Europeu desjou “a melhor sorte a todos os candidatos a receber a EMA e a EBA”. “Seja qual for o resultado, o grande vencedor desta eleição será a Europa a 27”, expressou Donald Tusk nas redes sociais.


Presidente da República admite limitações portuguesas

O Presidente da República sempre considerou “muito limitadas” as hipóteses do Porto acolher a sede da EMA, após a eliminação da candidatura portuguesa na primeira ronda de votação.

“Acho que a candidatura foi muito bem apresentada, mas as hipóteses, sempre achei que eram muito limitadas”, respondeu Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas à saída da conferência “O poder da Educação na conquista da Igualdade”, que decorreu esta segunda-feira tarde na Gulbenkian, em Lisboa.

Questionado sobre se o Governo esteve bem na gestão deste dossiê, o chefe de Estado considerou que o executivo “fez o que podia e devia ter feito no quadro existente, mas sabendo que havia grandes limitações”.

“Porque havia equilíbrios e que se tornaram mais evidentes pela saída de outras candidaturas que podiam ter feito uma dispersão de votos”, justificou.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, se tivesse sido Lisboa a candidata o desfecho seria igual, uma vez que “havia equilíbrios no quadro europeu em relação às várias agências que tornavam muitíssimo difícil à partida, quer para Lisboa quer para o Porto, a vitória”.

“Mas, fez-se o que se devia fazer. Não deu, não deu. Não é uma desilusão porque também nunca tive expectativas excessivas”, sublinhou.