O presidente da Síria fez o discurso inaugural em Dubai, num dia marcado pelo balanço dos ciberataques sofridos pelos EAU este ano e por novos dados sobre a economia dos média em Dubai.
O presidente sírio Ahmed al-Sharaa abriu, esta terça-feira, a Cimeira Árabe dos Media, no Dubai, com um diálogo central intitulado “A Síria do Futuro”, naquela que foi a primeira presença de um chefe de Estado sírio no evento.
Os organizadores afirmam que a cimeira de três dias, no Dubai World Trade Centre, é a maior de sempre, com mais de 175 sessões e mais de 400 oradores de 23 países, distribuídos por oito fóruns.
Al-Sharaa disse à Euronews que a escalada na região parecia estar “a caminho”, mas que os Estados devem manter a calma e trabalhar em conjunto.
Fora do palco principal, os Emirados Árabes Unidos apresentaram o relato mais completo até agora dos ciberataques enfrentados este ano.
Mohamed Al Kuwaiti, responsável pelo Conselho de Cibersegurança dos Emirados, disse à Euronews que cada ataque com mísseis e drones contra um porto, refinaria ou aeroporto foi acompanhado por um ciberataque contra o mesmo alvo.
“Cibercrime, ciberterrorismo, ciberguerra, tudo se juntou durante esta crise”, afirmou, apelando à criação de uma convenção internacional para regular a conduta dos Estados no ciberespaço.
O Dubai apresentou também novos números para o seu setor dos media. Nehal Badri, secretária-geral do Conselho dos Media de Dubai, afirmou que os media representam agora 1,4% do produto interno bruto do emirado, face a 0,5% quando o conselho definiu a sua estratégia, em 2023. O objetivo é chegar aos 3% até 2033. As empresas de media registadas atingiram as 25.000.
“Não se trata apenas de atrair empresas para terem o Dubai como casa, mas de as manter”, disse Badri à Euronews.
Badri trabalha no setor há mais de 20 anos e abriu o programa do conselho com uma intervenção intitulada “Do Dubai: o mundo filma, encena e transmite em streaming”.
“A narrativa foi sempre a de outros países a contar as nossas histórias”, explicou. “Agora existem instituições que podem contar as suas próprias histórias a partir do Dubai.”
A definição de media também se alargou. O evento começou como Fórum Árabe dos Media, pequeno e regional. Hoje integra oito fóruns dedicados ao cinema, aos jogos, ao podcasting e aos influenciadores, além do jornalismo.
“Tínhamos apenas jornalismo, multimédia e design gráfico”, recordou Badri. “Agora há jogos, há cinema.”
Cinema, televisão e diplomacia
O Fórum dos Jogos ouviu Saifi Ismail, do Yalla Group, a primeira empresa tecnológica dos Emirados a cotar-se na Bolsa de Nova Iorque, e um painel com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) sobre os usos sociais dos jogos.
Um painel de televisão reuniu os atores de ficção do Golfo Samira Ahmed, Dawood Hussain e Mohammed Al Mansoor. Uma exposição de equipamentos pioneiros de radiodifusão no Golfo, muitos ainda em funcionamento, atraiu um fluxo constante de jovens participantes.
Ali Rashid Al Nuaimi, presidente da Comissão de Assuntos de Defesa, Assuntos Internos e Negócios Estrangeiros do Conselho Nacional Federal dos Emirados, disse que a cobertura das relações internacionais se concentra em excesso nos governos.
“O que precisamos é de investir numa diplomacia entre pessoas, e os media devem assumir a liderança nesse papel”, disse à Euronews.
Apontou como exemplo a operação de ajuda dos Emirados no Nepal, onde cheias e deslizamentos de terra afetaram milhares de pessoas e para onde o país tem enviado sucessivos carregamentos de assistência desde o início de setembro. “Temos aqui nos Emirados uma comunidade de mais de 500.000 nepaleses”, referiu.
Sobre regulação, Al Nuaimi afirmou que os Emirados, onde vivem cerca de 200 nacionalidades, exigem apenas uma coisa. “Não pedimos às pessoas que mudem. A única coisa que lhes pedimos que respeitem é o Estado de direito”, afirmou.
Mona Ghanem Al Marri, vice-presidente e diretora-geral do Conselho dos Media de Dubai e presidente do Dubai Press Club, afirmou, num artigo para a Euronews no dia de abertura, que o investimento direto estrangeiro no setor atingiu 1,62 mil milhões de dólares em 2024.
A cimeira decorre até quinta-feira.