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Guerra comercial transatlântica é "incompreensível e "injusta"

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Guerra comercial transatlântica é "incompreensível e "injusta"

Comissária europeia para o Comércio, Cecilia Malmstrom
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REUTERS/Eric Vidal
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O gestor de uma empresa de importação de bebidas alcoólicas no noroeste da Bélgica teme vir a ser uma das vítimas da guerra comercial com que o Presidente dos Estados Unidos da América (EUA) ameaça a União Europeia, aumentando as tarifas sobre o aço e o alumínio.

"Não podemos conceber como é que a UE pode ser considerada uma ameaça à segurança dos EUA"

Cecilia Malmstrom Comissária europeia para o Comércio

A Comissão Europeia poderá retaliar com o aumento de tarifas sobre vários produtos norte-americanos, que ficariam mais caros para os consumidores europeus.

"Se amanhã houver mudanças nos impostos de importação, isso vai afetar tremendamente os nossos negócios, como é óbvio. Talvez tenhamos que reduzir a nossa atividade, se mudarem as regas. Será que querem voltar à década de 1950 e reavivar a lei seca?", questiona Jacques Carlens, gestor da "Premium Spirits".

Além do uísque norte-americano, poderiam ser afetados produtos tais como as calças Levis e as motos Harley Davidson, produtos já mencionados, algo ironicamente, pela Comissão Europeia.

Cecilia Malmström, responsável pela pasta do Comércio, desmontou, quarta-feira, o argumento usado por Donald Trump para iniciar a guerra comercial.

"Não podemos conceber como é que a União Europeia, que é amiga e aliada na NATO, pode ser considerada uma ameaça à segurança dos Estados Unidos. Achamos que esse argumento é profundamente injusto", disse a comissária, em conferência de imprensa, em Bruxelas.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, anunciou, esta quarta-feira, que o tema será debatido na cimeira da União Europeia, a 22 a 23 de março. "As guerras comerciais são más e fáceis de perder", disse Tusk, numa conferência de imprensa, no Luxemburgo, em resposta a uma declaração de Trump na qual minimizou o impacto de uma guerra comercial.

O correspondente da euronews, Stefan Grobe, realça que "ainda há esperança nos corredores comunitários de que a guerra comercial possa ser evitada. Afinal, Trump é imprevisível. Mas isso significa, também, que as coisas ainda poderão piorar".