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Suspeitas de financiamento da Líbia levam a detenção de Sarkozy

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Suspeitas de financiamento da Líbia levam a detenção de Sarkozy

Suspeitas de financiamento da Líbia levam a detenção de Sarkozy
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REUTERS/Stephane Mahe/File Photo
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O antigo Presidente da República de França, Nicolas Sarkozy, foi detido esta manhã pela polícia francesa para interrogatório, avança o jornal gaulês Le Monde.

Em causa está uma investigação sobre um eventual financiamento ilícito da sua campanha eleitoral vitoriosa de 2007 e as possíveis ligações à Líbia. A investigação foi desencadeada em abril de 2013, na sequência de um inquérito judicial criado após a divulgação, em maio de 2012 pelo site Mediapart, de um documento líbio a atestar as contribuições do regime de Mouammar Khadafi.

Essas informações surgiram já depois das denúncias do filho do antigo líder líbio, Saif Al-Islam, em entrevista à euronews em 2011, que marcaram o início das longas polémicas em torno do financiamento das campanhas do antigo presidente.

"Em primeiro lugar, Sarkozy deve pagar à Líbia o dinheiro que ele recebeu para a sua campanha eleitoral. Nós financiámos a sua campanha eleitoral, temos todos os detalhes da operação e estamos prontos para publicá-los. A primeira coisa que pedimos a este palhaço Sarkozy é que ele devolva este dinheiro ao povo líbio. Nós ajudámolo a tornar-se presidente para que ele ajudasse o povo líbio. No entanto, ele desiludiu-nos e em breve vamos publicar todos os pormenores, todos os documentos e os extratos bancários", afirmou Saif Al-Islam em 2011 à euronews.

O processo passou entretanto por vários juízes de instrução, incluindo Serge Tournaire, que já levou o ex-presidente a tribunal no caso Bygmalion.

Apesar de o ex-chefe de Estado ter sido detido pela primeira vez desde o início deste processo, já em 2017 a imprensa internacional relatava que Sarkozy enfrentaria mesmo um julgamento por alegadas irregularidades no financiamento da sua campanha presidencial de 2012. As notícias de então avançavam uma violação alegadamente consciente dos limites legais de despesas eleitorais, que a lei francesa estipula num máximo de 22,5 milhões de euros.

O diário francês lembra também que já no final de 2016, durante as primárias do centro-direita para a eleição presidencial, o intermediário Ziad Takieddine alegou ter transportado cinco milhões de euros em dinheiro de Tripoli para Paris, entre 2006 e 2007. Esse dinheiro terá sido inicialmente entregue a Claude Guéant, antigo chefe de gabinete de Sarkozy, e depois ao futuro presidente de França.

O jornal francês Le Monde adianta ainda que a detenção de Sarkozy pela polícia judiciária de Nanterre, nos arredores de Paris, pode prolongar-se por 48 horas, podendo posteriormente ser presente a um juiz para uma acusação formal.