A primeira reunião do novo Conselho da Paz de Trump teve lugar na quinta-feira, reunindo cerca de duas dúzias de aliados de todo o mundo em Washington.
O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu 10 mil milhões de dólares para o seu novo Conselho da Paz, quando acolheu a primeira reunião da nova instituição amorfa, que começou por se concentrar na reconstrução de Gaza, mas que, desde então, alargou o seu âmbito.
Trump, que nas últimas semanas tem ameaçado repetidamente com uma guerra contra o Irão, não especificou em que é que o dinheiro será utilizado.
O presidente dos EUA anunciou também que outros nove membros do organismo prometeram mais 7 mil milhões de dólares para um pacote de ajuda a Gaza. Entre os doadores contam-se o Cazaquistão, o Azerbaijão, os Emirados Árabes Unidos, Marrocos, o Bahrein, o Qatar, a Arábia Saudita, o Uzbequistão e o Kuwait.
"Cada dólar gasto é um investimento na estabilidade e na esperança de uma nova e harmoniosa (região)", disse Trump durante a reunião inaugural do Conselho da Paz, na quinta-feira.
Embora os donativos prometidos sejam substanciais, continuam muito aquém dos 70 mil milhões de dólares necessários para a reconstrução do território palestiniano, reduzido a escombros após mais de dois anos de ofensiva israelita em Gaza.
A iniciativa de Trump surgiu após os EUA, juntamente com o Qatar e o Egito, terem mediado um cessar-fogo entre Israel e o Hamas em outubro.
A iniciativa foi alvo de críticas generalizadas devido à sua natureza vaga, nomeadamente no que se refere à forma como funcionaria em conjunto com as instituições existentes, como as Nações Unidas, ou como procuraria competir com estas.
O líder norte-americano respondeu às críticas: "Penso que as Nações Unidas vão ficar muito mais fortes e que o Conselho para a Paz vai quase supervisionar as Nações Unidas e garantir que estas funcionam corretamente".
Trump terá poder de veto sobre a maioria das decisões do Conselho, um nível de controlo centralizado sem precedentes nas instituições internacionais, podendo permanecer à frente da iniciativa mesmo após deixar o cargo. Os outros países, por sua vez, terão de pagar mil milhões de dólares se quiserem permanecer no Conselho de forma permanente.
Lançamento do Conselho da Paz no meio das advertências de Trump ao Irão
A primeira reunião do Conselho da Paz ocorreu quando Trump fez novas ameaças ao Irão. Na quinta-feira, vários órgãos de comunicação social norte-americanos noticiaram que as autoridades americanas estimam que os militares estarão prontos para atacar o Irão dentro de dias, enquanto Trump pondera o seu próximo passo.
Qualquer operação militar dos EUA seria provavelmente uma campanha maciça de várias semanas, levada a cabo em conjunto com Israel, segundo fontes citadas pela comunicação social americana. A administração Trump estaria "mais perto do que a maioria dos americanos imagina" de uma grande guerra no Médio Oriente.
A reunião do Conselho da Paz centrou-se igualmente no lançamento de uma força internacional de estabilização, que ficaria responsável por supervisionar as fronteiras, manter a segurança e desmilitarizar Gaza.
De acordo com o seu comandante, o major-general Jasper Jeffers, a Indonésia, Marrocos, Cazaquistão, Kosovo e Albânia comprometeram-se a enviar tropas como parte da força, enquanto o Egito e a Jordânia se comprometeram a treinar a polícia.
A maioria dos países enviou representantes de alto nível para a reunião do Conselho, contudo, alguns líderes mundiais, nomeadamente o presidente indonésio, Prabowo Subianto, o presidente argentino, Javier Milei, e o presidente húngaro, Viktor Orbán, participaram na cerimónia de inauguração em Washington. O presidente da FIFA, Gianni Infantino, também esteve presente.
A comissária europeia para o Mediterrâneo, Dubravka Šuica, esteve em Washington como observadora, o que suscitou a ira de muitos europeus, que alertaram para o risco de a sua presença ser interpretada como um apoio coletivo ao controverso organismo.
França liderou os apelos para que a Comissão Europeia explicasse a presença de Dubravka Šuica, tendo a Bélgica, Espanha, Irlanda, Eslovénia, Suécia e Portugal levantado igualmente objeções.