Na quarta-feira, a primeira-ministra informou o Senado sobre a evolução do conflito no Médio Oriente, antes do Conselho da UE de 19 e 20 de março. Um discurso no início do dia, seguido de um discurso no Parlamento à tarde
Meloni esclareceu a posição do governo sobre o conflito em curso no Irão e na região do Médio Oriente, reiterando que a Itália não tenciona tomar parte no conflito e que o executivo, através de contactos com os líderes dos países do Golfo, está a trabalhar no sentido de o desanuviar.
Meloni falou também da coordenação em curso com a Alemanha, França e o Reino Unido sobre a questão do Estreito de Ormuz e o impacto no comércio e na energia.
A utilização de bases militares, que, como no caso de outros países europeus, é regulada por tratados internacionais, foi um dos pontos altos do seu discurso.
No final do debate no hemiciclo, com 102 votos a favor, o Senado aprovou a resolução maioritária sobre as comunicações da primeira-ministra.
Meloni diz utilização das bases militares "apenas como acordado"
Nas suas comunicações ao Senado, Meloni definiu a posição da Itália relativamente à operação militar dos EUA e de Israel contra o regime iraniano, enquadrando-a num contexto internacional em que, observou, "multiplicam-se as intervenções unilaterais conduzidas fora do perímetro do direito internacional."
A primeira-ministra, no entanto, excluiu qualquer envolvimento italiano: "digo isto imediatamente para evitar qualquer mal-entendido, a Itália não está a participar e não tenciona participar."
Meloni reiterou igualmente que a Itália continuará a respeitar os acordos existentes sobre a utilização de bases militares em território nacional.
"Parece-me que todos os parceiros europeus estão a respeitar o que os acordos prevêem", afirmou, recordando que o governo espanhol também confirmou que "fora do acordo bilateral com os Estados Unidos não haverá utilização das bases."
Qualquer pedido diferente, sublinhou, será avaliado de acordo com os procedimentos institucionais: "a decisão, nesse caso, caber-nos-ia ao Parlamento", enquanto que, de momento, "não foi recebido qualquer pedido."
Condenação do massacre na escola de Minab
No seu discurso, a primeira-ministra expressou também a sua forte condenação do ataque a uma escola feminina em Minab, no sul do Irão, onde morreram várias raparigas.
"Em nome do governo, exprimo a minha forte condenação do massacre de raparigas que teve lugar na escola de Minab", afirmou, manifestando a sua solidariedade para com as famílias das jovens vítimas.
Meloni exigiu então que o incidente fosse rapidamente esclarecido.
A condenação foi acompanhada de um pedido "para que a responsabilidade por esta tragédia seja rapidamente apurada", como parte de um apelo mais amplo para garantir a proteção da população civil durante as operações militares.
"A Itália", sublinhou, "tenciona fazer ouvir a sua voz para que a segurança dos civis, a começar pelas crianças, seja preservada."
Diplomacia e coordenação europeia sobre o Estreito de Ormuz
Relativamente à questão do Estreito de Ormuz, Meloni confirmou na sua resposta que o debate ainda está em curso.
De facto, nos últimos dias, o governo italiano intensificou o trabalho diplomático com os seus parceiros europeus, incluindo França, Alemanha e Reino Unido.
Um dos dossiers mais delicados diz respeito à segurança do estreito, um nó estratégico para o tráfego mundial de energia.
De acordo com informações de Downing Street, os líderes concordaram em trabalhar "em estreita colaboração" para garantir a liberdade de navegação na zona.
Entre as opções em cima da mesa estava a possibilidade de garantir proteção militar aos navios que transitam pelo Estreito. Um tema sobre o qual, no entanto, o governo de Roma quer evitar saltos.
"Com o chanceler Merz, o primeiro-ministro Starmer e o presidente Macron, mantivemos vários contactos nos últimos dias, para partilhar avaliações sobre a evolução da crise e coordenar as respetivas respostas nacionais, face às repercussões globais tanto a nível económico como de segurança, incluindo a segurança energética e alimentar", disse.
"Estamos determinados a manter esta ligação para calibrar estratégias comuns em tempo útil e não poupar esforços, de acordo com os parceiros regionais, para promover iniciativas para restaurar a estabilidade na zona", concluiu.
"É necessária uma abordagem multilateral, um navio italiano não resolverá o problema"
O ministro da Defesa, Guido Crosetto, sublinhou que a crise no Estreito de Ormuz ultrapassa as fronteiras nacionais e afeta toda a economia mundial.
"O Estreito de Ormuz é um problema mundial, que irá afetar todas as economias mundiais", afirmou à margem da sessão do Senado, explicando que a passagem é crucial para o trânsito de energia e de mercadorias, em especial para a China, mais do que para a Itália ou para a União Europeia.
Crosetto sublinhou ainda a necessidade de uma abordagem multilateral: "não é um navio italiano que resolve o problema de Ormuz, mas a Itália pode ser um dos atores que reúne todas as energias do mundo inteiro para resolver uma questão que envolve a possibilidade de importações de energia de todo o mundo."
Segundo o ministro, a solução deve ser procurada através de instrumentos internacionais como a ONU e outros mecanismos multilaterais, sublinhando que a questão é uma das primeiras oportunidades para relançar o multilateralismo, que tem sido frequentemente negligenciado nos últimos anos.