Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Irão: conflito custa 515 milhões de euros por dia ao turismo no Médio Oriente

Para o setor do turismo no Médio Oriente, prevê-se um impacto particularmente grave.
Para o setor do turismo no Médio Oriente, prevê-se um impacto particularmente grave Direitos de autor  Copyright 2025 The Associated Press. All rights reserved.
Direitos de autor Copyright 2025 The Associated Press. All rights reserved.
De Rebecca Ann Hughes & Dianne Apen-Sadler
Publicado a Últimas notícias
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

A estimativa do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) baseia-se na previsão para o Médio Oriente em 2026, anterior ao conflito

O conflito regional entre o eixo Estados Unidos-Israel e o Irão estará a custar à indústria de viagens e turismo do Médio Oriente 515 milhões de euros por dia.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Esse valor assenta nas previsões pré-conflito para 2026 do World Travel & Tourism Council (WTTC) para o Médio Oriente, que apontavam para 178 mil milhões de euros em despesas de visitantes internacionais em toda a região este ano.

Os principais hubs de aviação de Abu Dhabi, Dubai, Doha e Bahrain costumam movimentar cerca de 526 mil passageiros por dia, mas esse número caiu a pique devido ao encerramento de espaços aéreos, que deixou muitos voos em terra.

Embora muitos destes passageiros estejam apenas em trânsito – o Médio Oriente concentra 14% do tráfego internacional de ligação, como ponto-chave entre a Europa e a Ásia e África –, a região representa também 5% das chegadas internacionais em todo o mundo.

Atualmente, muitas companhias aéreas estão a operar apenas um número limitado de voos, uma fração da sua programação habitual. A análise da Flightradar24 mostra que, em 24 de fevereiro, a Emirates, a Etihad Airways e a Qatar Airways operaram 527, 325 e 563 voos, respetivamente. Em 10 de março, esses números desceram para apenas 309, 56 e 66.

Turismo no Médio Oriente pode perder 30 milhões de visitantes

O aumento das tensões ameaça travar a forte recuperação recente do turismo no Médio Oriente e no Golfo Pérsico, embora ainda não se saiba se o efeito será temporário ou duradouro.

Ibrahim Khaled é diretor de marketing da Middle East Travel Alliance, uma rede de Destination Management Companies (DMC) em todo o Médio Oriente.

“Temos assistido a um crescimento constante do número de visitantes de ano para ano, sobretudo com todos os novos investimentos em turismo que estão a surgir em toda a região”, diz à Euronews Travel.

“A Arábia Saudita tem atualmente cerca de 10%, mas está a crescer a um ritmo impressionante desde que se abriu ao turismo de lazer, em 2019. É, sem dúvida, o destino emergente mais interessante para nós.”

Os acontecimentos das últimas duas semanas travaram esse crescimento de forma abrupta.

“Nos destinos que os governos dos EUA e do Reino Unido colocaram em listas de não viajar ou não voar, infelizmente temos visto imensos cancelamentos”, afirma Khaled. “Os voos estão a ser perturbados e as viagens para essas zonas específicas estão praticamente todas suspensas.”

Um relatório da Tourism Economics divulgou projeções para o impacto da guerra no turismo regional, em linha com a perspetiva da aliança de viagens.

“Estimamos que as chegadas de turistas ao Médio Oriente possam cair entre 11% e 27% em termos homólogos em 2026 devido ao conflito, face à nossa previsão de dezembro, que apontava para um crescimento de 13%”, referem Helen McDermott, diretora de previsões globais, e Jessie Smith, economista sénior.

“Em termos absolutos, isto significaria menos 23 a 38 milhões de visitantes internacionais face ao nosso cenário de base/previsão anterior e uma perda de 34 a 56 mil milhões de dólares (29 a 48 mil milhões de euros) em despesas de visitantes. Estes valores já incluem o impacto esperado de uma persistência do sentimento negativo para além do período imediato do conflito.”

Acrescentam que o impacto deste conflito na procura turística será maior do que o do conflito do ano passado.

Tal deve-se, em grande medida, aos ataques de retaliação do Irão contra países vizinhos do GCC, que são destinos turísticos mais consolidados, bem como ao encerramento de espaços aéreos numa escala mais ampla do que no ano passado.

Países do GCC serão os mais afetados

A Tourism Economics prevê que os países do GCC registem as maiores quebras em termos de volume, “por serem os maiores destinos da região, que até aqui assentavam em perceções de segurança e estabilidade”, explicam McDermott e Smith.

Os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita são particularmente vulneráveis devido ao elevado número de visitantes internacionais e a uma forte dependência da conetividade aérea. O transporte aéreo é muito mais afetado pela deterioração do sentimento do que as opções de transporte terrestre, sublinha o grupo no relatório.

Em comparação, no Qatar e no Bahrain as chegadas por via terrestre representam, respetivamente, 32% e 74% do total, pelo que o impacto é proporcionalmente menor.

“Dado o caráter alargado dos ataques de retaliação do Irão, é provável que os efeitos sobre o sentimento se propaguem de forma mais ampla pelos países do GCC”, lê-se no relatório.

A Tourism Economics salientou ainda o papel do Médio Oriente como hub global de trânsito, com os seus aeroportos a responderem por cerca de 14% da atividade internacional de ligação.

Segundo o grupo, isto terá inevitavelmente efeitos em cadeia fora da região. A atual perturbação afetará os fluxos de viagem que normalmente passam pelos hubs do Médio Oriente, incluindo as principais rotas entre a Europa e a região Ásia-Pacífico.

Região resiliente

Apesar da gravidade da situação atual, especialistas do setor do turismo consideram que os efeitos a longo prazo podem não ser tão drásticos.

“Não estamos preocupados com o impacto de longo prazo na empresa ou no turismo da região. O Médio Oriente tem sido sempre um mercado extremamente resiliente e a procura recupera rapidamente assim que a estabilidade regressa”, afirma Khaled.

De acordo com o WTTC, que representa o setor privado da indústria, com membros entre companhias aéreas, hotéis, cruzeiros e operadores turísticos, o setor poderá recuperar “em apenas dois meses”.

“O impacto da despesa dos visitantes internacionais em todo o Médio Oriente é significativo e ronda, em média, os 600 milhões de dólares por dia, mas a história mostra que o setor pode recuperar rapidamente, sobretudo quando os governos apoiam os viajantes com medidas de apoio hoteleiro ou de repatriamento”, afirma Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC.

“A nossa análise de crises anteriores demonstra que os incidentes relacionados com segurança tendem a registar os tempos de recuperação turística mais rápidos, em alguns casos em apenas dois meses, quando governos e indústria trabalham em conjunto para restabelecer a confiança dos viajantes.”

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Não é um reator nuclear, mas é mais perigoso. Poderá a ilha de Kharg estar na lista de alvos dos EUA e Israel?

Irão: conflito custa 515 milhões de euros por dia ao turismo no Médio Oriente

Europa cancela cruzeiros por navios retidos em portos do Golfo