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Netanyahu e Macron, um encontro com vista para o Irão

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Netanyahu e Macron, um encontro com vista para o Irão

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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, esteve esta terça-feira em Paris para se encontrar com o Presidente de França, Emmanuel Macron, naquela que foi a sua segunda paragem no périplo de três dias pela Europa com vista a criar uma frente comum contra o acordo nuclear com o Irão.

Nesta segunda-feira, Netanyahu esteve com a chanceler alemã, Angela Merkel, e para quarta-feira está igualmente prevista uma reunião com a homóloga britânica, Theresa May. Uma agenda que não se adivinha fácil para o líder israelita, uma vez que a União Europeia continua a defender o acordo nuclear com o Irão.

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A reunião entre Emmanuel Macron e Benjamin NetanyahuREUTERS/Philippe Wojazer

Esse entendimento - assinado em 2015 pelo Irão e pelo grupo 5+1, constituído pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas - EUA, Rússia, China, França e Reino Unido, mais a Alemanha - foi abalado há cerca de um mês, quando os Estados Unidos, por decisão do seu Presidente, Donald Trump, anunciaram a retirada do acordo.

Entre os principais pontos do acordo estavam o levantamento de parte das sanções internacionais

a Teerão em troca de garantias firmes de um programa nuclear iraniano com fins exclusivamente pacíficos.

"O arquivo nuclear que revelámos recentemente provou que o Irão mentiu ao mundo sobre o seu programa de armas nucleares. Acredito que agora é o momento de aplicar pressão máxima sobre o Irão para garantir que o seu programa nuclear não tem futuro. Quero deixar claro que não pedi ao presidente Macron para abandonar o acordo. Penso que as as questões económicas vão resolver essa questão", afirmou Benjamin Netanyahu, preferindo centrar as suas atenções na influência iraniana no Médio Oriente.

Por sua vez, Emmanuel Macron, que defendeu a continuidade do acordo - embora admita melhorias - pronunciou-se também sobre o conflito israelo-árabe, tendo rejeitado avançar com o reconhecimento oficial da Palestina, por não querer tomar uma medida unilateral à semelhança dos Estados Unidos no mês passado, quando mudou a sua embaixada de Telavive para Jerusalém.

"Não pretendemos reconhecer oficialmente a Palestina porque isso seria entendido como uma reação a outro ato unilateral que é, em minha opinião, um erro - a decisão dos EUA de fazer de Jerusalém a capital de Israel. A experiência das últimas semanas mostrou uma coisa: o unilateralismo desrespeitador da posição dos outros só pode gerar violência", vincou o líder francês.

Este clima de tensão, ao qual se junta tambem a acusação de Israel da crescente influência militar iraniana na Síria, tornou-se ainda mais pesado com a revelação esta segunda-feira de que o Irão vai aumentar a sua capacidade de enriquecimento de urânio dentro dos limites estabelecidos no acordo de 2015.

Apesar das declarações recentes do guia supremo iraniano, o ayatollah Ali Khamenei, nas quais disse que a Organização Iraniana de Energia Atómica (OIEA) tinha "o dever de se preparar rapidamente" para aumentar a produção de uranio enriquecido, o vice-presidente do pais, Ali Akbar Salehi já lembrou que estas novas medidas não violam o acordo.

De resto, o anúncio iraniano já teve uma resposta europeia, com a UE a alertar para o respeito dos compromissos assumidos, mas também uma violenta crítica de Netanyahu, que acusou Teerão de querer construir armas nucleares para destruir Israel.

Já esta tarde, os Estados Unidos, através de uma reação do Departamento do Tesouro, aconselharam os seus parceiros, aliados e setor privado a reforçarem os cuidados nos negócios com o Irão, a fim de não correrem o risco de finançar as suas "atividades nefastas".

Recorde-se que o enriquecimento de urânio permite produzir combustível para as centrais nucleares de produção de eletricidade e ter aplicações civis, como na medicina, mas altamente enriquecido e em quantidade suficiente o urânio pode também servir para fabricar uma bomba atómica.

Entretanto, decorre desde segunda-feira, em Viena (Áustria), uma reunião de quatro dias da Agência Internacional de Energia Atómica, num momento em que o acordo nuclear está sob grande pressão.