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As muitas danças da Bienal de Lyon

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As muitas danças da Bienal de Lyon

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A Bienal de Dança de Lyon deste ano conta com 20 estreias mundiais, que vão desde obras de realidade virtual ao hip hop japonês. No entanto, não são apenas os profissionais que assumem o protagonismo na bienal; são as milhares de pessoas que participam no desfile, os bailarinos amadores e as crianças das escolas que tornam este festival único.

"Vertikal", do coreógrafo francês Mourad Merzouki, é uma produção que vem dar uma volta ao hip hop. É uma das estreias mundiais nesta Bienal e uma composição onde os dançarinos assumem o ar, livres da gravidade.

"Na dança hip hop procuramos sempre o virtuosismo... procuramos sempre voar de alguma maneira. Este sistema permite ir um pouco mais longe e permite-nos trazer um pouco mais de complexidade para os dançarinos e para a coreografia”, conta o coreógrafo Mourad Merzouki á euronews.

Porém, há um conflito no conflito no centro de Vertikal; em vez de voarem livremente, os dançarinos de Merzouki parecem marionetas a tentar escapar ao controlo dos fios.

"Procuramos sempre levantar-nos perante as adversidades, a vida não é fácil... a vida é um combate. Pensamos que somos livres, mas realmente não o somos. Estamos confinados a espaços. Podem ser os prédios suburbanos ou a arquitetura atual, que sufoca pouco a pouco o espaço verde. Por isso, encontramo-nos em espaços delimitados", explica.

Os diferentes diálogos da dança

O trabalho de Merzouki é há muito apreciado pela diretora da Bienal, Dominique Hervieu, que assegura que o coreógrafo gaulês "está sempre em busca de disciplinas muito específicas", pegando em aspetos do hip hop e transportando-os para uma dança vertical, com apoios nos movimentos, nesta sua última obra.

"E depois, por exemplo, vemos a companhia Peeping Tom na ópera de ballet de Lyon e é muito importante assistir a esse encontro entre o ballet da ópera, que costuma traduzir-se numa dança abstrata, e a dança que se apoia em personagens e numa história."

“Rua Vandenbraden 31” é um dos grandes sucessos da década e tem a assinatura do reputado coletivo belga Peeping Tom. Um estudo sombrio das relações humanas que já foi galardoado em 2015 com um prémio Olivier.

Já em “Fuga”, Yoann Bourgeois, codiretor do Centro Coreográfico de Grenoble, funde uma coreografia com realidade virtual para proporcionar uma experiência coletiva a 10 pessoas.

Do Japão, o grupo Tóquio Gegegay - bem como Kader Attou e Jann Gallois - marca encontro com o hip hop numa viagem de um dia pelo liceu. É o excêntrico regresso a um tempo marcante.

Em "VR 1", de Gilles Jobin e Artanim, alia-se pela primeira vez a realidade virtual imersiva à dança para a criação de uma experiência sensorial única.

Por fim, um museu é o palco da revelação tragicómica da violência e da complexidade das paixões humanas. Na peça “Ein Zwei Drei”, de Martin Zimmermann, as palavras apagam-se na mensagem de objetos, corpos e situações. Uma criação que se inspira no circo, uma das origens do artista suíço, para se cruzar com a dança e as artes plásticas numa elegante alquimia.

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