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UE promove cooperação entre população e refugiados no Bangladesh

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UE promove cooperação entre população e refugiados no Bangladesh

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Cerca de um milhão de Rohingyas vive hoje no sul do Bangladesh. Desde agosto do ano passado, 720 mil muçulmanos fugiram do Myanmar para escapar às agressões do exército, uma perseguição classificada como genocídio pelas Nações Unidas.

Nos últimos dois anos, terão sido assassinados 24 mil Rohingyas, um povo de religião muçulmana que vive na antiga Birmânia, hoje Myanmar, um país de maioria budista.

No sul do Bangladesh, em Domdomia, o número de refugiados é superior à população local. No campo de Jadimura, vivem agora 13 mil refugiados da etnia Rohingya. Com a ajuda das organizações humanitárias, as duas comunidades tentam trabalhar em conjunto para melhorar as condições de vida.

"Constatámos que era preciso mais água e pedimos ajuda para poder trazer um tanque para aqui. O tanque está a funcionar há seis meses. O que tem beneficiado cerca de duzentas famílias da comunidade local e dos Rohingyas", afirmou Badsa Mia, um familiar do dono do terreno.

A família de Badsa Mia aceitou a instalação de um centro de distribuição de água nos seus terrenos para benefício dos refugiados. O projeto da ONG francesa Solidarités International é financiado pela Ajuda Humanitária da União Europeia.

"Quando chegámos tínhamos de subir à montanha para ir buscar água. Corríamos o risco de ser atacados por elefantes selvagens e cobras. Levávamos uma hora e meia para ir e vir. Eu ia buscar água duas ou três vezes por dia. Agora é mais fácil, a água está logo ali em baixo", contou Moriam Khatun, refugiada Rohingya.

UE promove cooperação entre as duas comunidades

Moriam Khatun faz parte de um grupo de setenta famílias que vive num terreno privado. A proprietária do terreno cobra uma pequena renda aos refugiados e afirma ter agido por compaixão. Os dois povos partilham a mesma fé, a religião muçulmana.

"Quando chegaram não tinham onde ficar. Tive pena deles e decidi deixá-los ficar nas minhas terras. Fi-lo porque era a minha obrigação moral", disse Hamida Begum.

"A colaboração entre os Rohingya e a comunidade local é muito útil e não só ao nível da gestão da água. Permite também melhor a vida quotidiana no campo", relatou Monica Pinna, repórter da euronews.

A ONG francesa organizou um comité local para que a comunidade de acolhimento e os imigrantes possam resolver os problemas em conjunto.

"Este projeto faz parte da nossa estratégia para reforçar a coesão social. Trata-se de reunir a comunidade e fazê-la trabalhar em conjunto para resolver os problemas antes que se agravem e de identificar as necessidades humanitárias para que sejam discutidas com as ONG", contou Tara Pollock, gestor do programa implementado pela ONG francesa.

No âmbito do programa, os locais e os refugiados são pagos para construir pequenas infraestruturas, como caminhos e pontes. Cada trabalhador recebe no mínimo cinco dólares por dia.

"Com base na avaliação da vulnerabilidade, identificamos os 150 lares mais vulneráveis na comunidade. Com base numa rotação, eles trabalham para melhorar as suas condições de vida e as da comunidade", relatou Tara Pollock.

Para a União Europeia, o reforço da coesão social no sul do Bangladesh é uma prioridade absoluta, porque os Rohingyas não têm para onde ir.

"A situação atual foi causada pela chegada de um enorme fluxo de refugiados. Nalgumas áreas, há o dobro de refugiados em relação à população local. Inevitavelmente, a chegada de tanta gente suscitou um stress em termos de recursos, nomeadamente, água e madeira e teve um impacto na economia local. Por isso, é importante garantir que os programas humanitários ajudam as duas comunidades, para que não haja divisões e eventuais ressentimentos", considerou Pierre Prakash, responsável da Ajuda Humanitária da União Europeia.

Após uma investigação independente no terreno, em agosto, as Nações Unidas acusaram os generais do regime de Myanmar de genocídio contra o povo Rohingya.

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