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Clima: Arca de Noé em Roterdão é "solução"?

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Clima: Arca de Noé em Roterdão é "solução"?

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No momento em que a comunidade internacional discute a luta contra as alterações climáticas, precisará o mundo de uma arca de Noé para salvar a Humanidade das catástrofes naturais?

É possível que áreas como a Antártida se tornem instáveis ​​e se desloquem mais rapidamente para o mar

Jaap Kwadijk Especialista em Hidrologia, Deltares

A história da Bíblia não é só uma metáfora para um carpinteiro holandês que seguiu as instruções do Antigo Testamento e criou a sua versão do barco salva-vidas para perpetuar as espécies do planeta.

Johan Huiber acredita no aquecimento global, mas como desígnio divino e não obra dos homens, que nada podem fazer para o controlar.

"Tudo começou depois de Noé, há quatro mil anos e o mundo continuará a aquecer cada vez mais. O mesmo vai acontecer com os oceanos, que vão subir. É o aquecimento global. Não sei o que vai acontecer nos próximos anos, mas haverá mais inundações, seguramente", disse Huiber à enviada da euronews, Elena Cavallone.

REUTERS/Jonathan Bachman/File Photo

Com 122 metros de comprimento e 23 metros de altura, a arca pode acolher quatro mil pessoas e 15 mil espécies de animais. Apesar de ter sido concebido como instrumento de pregação, o navio tornou-se uma atração turística.

"Construir uma arca para sobreviver a uma grande inundação pode parecer estranho. No entanto, o risco de cada vez maiores inundações é bem realista. O aquecimento global já está a alterar o clima e a situação pode piorar", acrescenta Elena Cavallone.

O aumento da temperatura a nível global tem levado ao degelo de zonas polares do globo e ao consequente aumento do nível do mar.

Há também períodos de chuva mais intensos e devastadores na Europa Ocidental e Central.

O agravamento destas tendências dependerá do aumento da temperatura global nas próximas décadas.

"Pensamos que nos poderemos adaptar se subir 1,5 a dois graus celsius, mas para além dos dois graus não sabemos se seremos capazes de o fazer. É possível que áreas como a Antártida se tornem instáveis ​​e se desloquem mais rapidamente para o mar, causando uma incrível elevação do nível do mar", alertou Jaap Kwadijk, especialista em hidrologia e gestão de inundações da Deltare.