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Ucrânia aceita inspeção da UE ao oleoduto Druzhba na esperança de levantar veto húngaro

António Costa, Volodymyr Zelenskyy e Ursula von der Leyen.
António Costa, Volodymyr Zelenskyy e Ursula von der Leyen. Direitos de autor  European Union, 2026.
Direitos de autor European Union, 2026.
De Jorge Liboreiro
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Bruxelas afirma que a Ucrânia aceitou uma inspeção externa ao controverso oleoduto, dias depois de Zelenskyy ter apelidado ação de chantagem. A mudança poderá ser uma rampa de lançamento para a Hungria levantar o veto ao empréstimo para a Ucrânia.

A Ucrânia vai concordar com uma inspeção externa do oleoduto Druzhba, financiada pela União Europeia, indicou Bruxelas na terça-feira, poucos dias antes de os líderes europeus se reunirem em Bruxelas para uma cimeira que espera desbloquear um empréstimo para a Ucrânia vetado pela Hungria.

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"A UE ofereceu à Ucrânia apoio técnico e financiamento. Os ucranianos acolheram e aceitaram esta oferta", explicaram a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, numa declaração conjunta.

"Os peritos europeus estão imediatamente disponíveis".

O avanço político surge na véspera de uma cimeira de líderes da UE, na quinta-feira, com a Hungria em foco, uma vez que a UE procura formas de fazer avançar um empréstimo de 90 mil milhões de euros para a Ucrânia, acordado em dezembro e desviado sob o poder de veto de Budapeste.

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, afirma que o oleoduto, que transporta petróleo russo, está operacional e está a ser bloqueado pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy por razões políticas de forma a poder influenciar as próximas eleições húngaras, que acontecem a 12 de abril.

Durante o fim de semana, o Zelenskyy afirmou que estava a ser pressionado pelos aliados europeus, explicando que a reabertura do oleoduto Druzhba é uma má ideia, embora tenha reconhecido que essa era a sua opinião pessoal e não a consensual.

Numa carta enviada a von der Leyen e a Costa, Zelenskyy afirmou que as alegações de Orbán são "infundadas" e sugeriu que a interrupção foi causada por ataques russos ao oleoduto e às infraestruturas circundantes no final de janeiro.

De acordo com Zelenskyy, os danos "graves" infligidos à estação de bombagem de Brody, no leste da Ucrânia, tornam "impossível" o transporte seguro de petróleo através do oleoduto.

A reparação da estação de bombagem para permitir o fluxo de petróleo necessitará de obras de reparação durante um mês e meio, acrescentou, desde que Moscovo não lance um novo ataque.

"Neste contexto, saúdo e aceito a vossa oferta de apoio técnico e financiamento necessários para poder concluir os trabalhos de reparação, bem como para explorar as opções sustentáveis a longo prazo", disse Zelenskyy em comentários dirigidos a von der Leyen e Costa.

Na respetiva carta, von der Leyen e Costa argumentam que a reparação de Druzhba se tornou de "maior importância" devido à volatilidade do mercado energético desencadeada pela guerra no Médio Oriente, que fez subir os preços do petróleo acima dos 100 dólares por barril.

Em reação à turbulência, os Estados Unidos aliviaram as sanções contra o crude russo que chega via marítima, o que provocou uma rápida condenaçãopor parte dos aliados europeus.

"Esperamos que a assistência da UE possa abrir caminho para ultrapassar o atual bloqueio e garantir a rápida reparação do oleoduto", afirmam von der Leyen e Costa.

Os dois líderes asseguram a Zelenskyy que a operação de reparação não desviará a UE do seu objetivo comum de eliminar gradualmente todos os combustíveis fósseis russos até ao final de 2027.

A Comissão já apresentou uma proibição permanente do gás russo e espera-se que revele uma medida equivalente para o petróleo russo na primavera, muito provavelmente após as eleições húngaras.

"Esta medida representaria um passo decisivo para reforçar a independência energética da União Europeia e eliminar as vulnerabilidades associadas à utilização da energia como arma por parte da Rússia", respondeu Zelenskyy.

Um porta-voz da Comissão não indicou o montante específico da assistência financeira que poderia ser prestada a Kiev.

Não ficou imediatamente claro se o compromisso anunciado na terça-feira seria suficiente para Orbán levantar o seu veto antes de os húngaros irem às urnas a 12 de abril. Orbán já tinha sugerido anteriormente que só o regresso dos fluxos petrolíferos poderia convencê-lo a mudar de ideias.

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