O presidente ucraniano afirmou estar disposto a dialogar com o primeiro-ministro israelita sobre os intercetores de drones e a experiência de Kiev na luta contra os UAV de Teerão, numa altura em que a guerra com o Irão entrou na sua terceira semana.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, confirmou a possibilidade de manter conversações com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, depois de Netanyahu ter alegadamente solicitado negociações com Zelenskyy nos últimos dias.
De acordo com os meios de comunicação israelitas, Netanyahu está interessado nos drones intercetores da Ucrânia, que provaram ser os mais acessíveis e mais eficazes contra os drones iranianos.
O embaixador ucraniano em Israel, Yevgen Korniychuk, confirmou que Kiev recebeu o pedido e acrescentou que a reunião deverá ter lugar no início da próxima semana.
A Euronews contactou a embaixada ucraniana em Israel para comentar o assunto.
Zelenskyy disse que está disposto a realizar as conversações, mas não especificou quando poderão ter lugar, tendo, no entanto, dado a entender que a assistência de Kiev estará sujeita a uma troca.
"Netanyahu tem o que eu preciso e eu tenho o que ele precisa. Por isso, estou pronto para este diálogo", disse Zelenskyy.
Embora Zelenskyy não tenha fornecido mais detalhes sobre o que exatamente a Ucrânia gostaria de receber de Israel, numa declaração separada, disse que mesmo o mais sofisticado sistema de defesa aérea não pode ser tão eficiente contra os drones iranianos.
"Milhares de mísseis Patriot não conseguem deter dezenas de milhares de Shaheds iranianos", disse Zelenskyy, acrescentando que um desses drones é "quarenta vezes mais barato do que um único míssil Patriot."
"A Ucrânia tem todo o sistema de defesa aérea, exceto as capacidades antibalísticas".
Kiev já enviou três equipas de peritos militares para o Qatar, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, adiantou Zelenskyy a 10 de março.
O presidente ucraniano também confirmou que a Ucrânia enviou uma equipa de especialistas e intercetores de drones para ajudar a defender as bases dos EUA na Jordânia, a pedido de Washington. mas Donald Trump negou que o pedido tenha sido feito, afirmando que tal apoio não é necessário.
Complexas relações da Ucrânia com Israel
Zelenskyy e Netanyahu encontraram-se apenas uma vez desde o início da invasão total da Ucrânia pela Rússia no início de 2022, à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque, em setembro de 2023.
O presidente da Ucrânia tinha tentado negociar com o primeiro-ministro de Israel um maior apoio à Defesa da Ucrânia e uma estratégia mais coordenada contra as armas iranianas transferidas para as forças russas que lutam contra a Ucrânia.
Após a reunião em Nova Iorque em 2023, Zelenskyy afirmou que a Ucrânia e Israel partilham "a preocupação com a crescente cooperação militar entre a Rússia e o Irão".
Na altura, uma declaração de Netanyahu afirmou que "Israel continuaria a ajudar a Ucrânia em questões humanitárias, incluindo a questão das minas antipessoal".
Israel não impôs sanções à Rússia quando o Kremlin iniciou a guerra contra a Ucrânia e tem mantido relações cordiais com Moscovo.