O exercício experimental militar REPMUS25 aconteceu ao largo da costa portuguesa, no distrito de Setúbal, e pôs a nu algumas fragilidades das forças navais da NATO. Em cenário de guerra drones ucranianos teriam afundado uma fragata.
O exercício experimental REPMUS25, em paralelo com o exercício DYMS da NATO e considerado o maior a nível mundial no que diz respeito a sistemas não tripulados em âmbito marítimo, realizou-se entre Tróia e Sesimbra, no distrito de Setúbal, em setembro de 2025.
No local estiveram duas equipas opositoras: a força RED ("força inimiga") liderada por militares da Ucrânia, que participou pela primeira vez, e por militares americanos, britânicos e espanhóis; e a força BLUE ("força amiga"), representada pelas forças da NATO. Na simulação ganhava quem conseguisse alvejar mais vezes os navios inimigos.
Uma fonte ucraniana envolvida no exercício relatou ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung ( acesso fechado), que em cinco cenários do treino as forças ucranianas (RED) ganharam às forças da NATO (BLUE), o que mostrou, não só a capacidade dos equipamentos militares marítimos da Ucrânia, como as vulnerabilidades de defesa dos Aliados.
Segundo a mesma fonte, os ucranianos levaram várias versões do seu drone naval Magura V7 para os exercícios que contribuíram em muito para o sucesso da operação.
Em setembro, na altura em que decorreram os exercícios, o portal de notícias militares ucraniano Militarnyi (fonte em ucraniano) tinha confirmado a utilização destes USV (veículos de superfície não tripulados) no exercício da NATO em Portugal, descrevendo a atualização feita no Magura V7.2.
"A versão atualizada do Magura v7.2 passou por alterações no casco, onde os lançadores de mísseis foram movidos da popa para o convés central, e as saídas do coletor de escape foram reposicionadas das laterais. Além disso, a câmara foi reposicionada mais acima no mastro, onde também passou a integrar o radar de navegação de bordo", pode-se ler.
Ainda ao jornal alemão FAZ, a fonte exemplificou que, num dos exercícios, a equipa vermelha conseguiu atingir a fragata da NATO vezes suficientes "para a afundar num cenário real de guerra" e adiantou também que um dos fatores mais preocupantes é que a equipa da aliança Atlântica não terão sequer conseguido detetar a aproximação dos Magura V7.
"O problema não era eles não nos conseguirem parar. O problema é que eles nem viram as nossas armas", revelou a fonte ucraniana ao jornal FAZ.
A Euronews acompanhou o exercício, em setembro, e em entrevista com o capitão Valter de Bulha Almeida, o mesmo admitiu que a participação da Ucrânia era "muito importante porque nos traz os procedimentos e as táticas que estão a utilizar na linha da frente", acrescentando que estavam a ser testadas muitas técnicas e procedimentos utilizadas em cenários reais.
"É muito importante compreendermo-nos uns aos outros e compreender as capacidades de todas as unidades, de todos os participantes no exercício, incluindo a equipa ucraniana", referiu.
Desde o início da invasão russa, em 2022, que a Marinha ucraniana tem utilizado drones marítimos na defesa do Mar Negro.
Mudança de paradigma
Na Revista Armada, no artigo sobre o REPMUS 25, a Marinha portuguesa refere no seu balanço final que estes exercícios, frequentemente feitos em Portugal, evoluíram a nível de complexidade "com o emprego de sistemas não tripulados com um maior grau de maturidade tecnológica (technology readiness level – TRL)", como são o caso dos Magura V7, ainda que não os tivesse referido.
"À medida que os sistemas não tripulados vão evoluindo, o REPMUS 25 deixa um legado importante: o entendimento que o futuro de uma Marinha moderna será híbrido, onde plataformas tripuladas e não tripuladas atuam em sinergia como um todo coerente", refere ainda o mesmo artigo.
Existem avanços contínuos da inovação tecnológica com novos sistemas que representam também eles novos desafios como se mostrou neste exercício.