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Israel corta relações com Guterres após inclusão em lista de violência sexual

Secretário-geral da ONU António Guterres discursa na Assembleia Geral em Nova Iorque, 22 de setembro de 2025
Secretário-geral da ONU, António Guterres, discursa na Assembleia Geral em Nova Iorque, 22 de setembro de 2025 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Gavin Blackburn
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As Nações Unidas citaram “informações credíveis” sobre violência sexual alegadamente cometida por forças de segurança israelitas contra palestinianos em prisões e outros centros de detenção.

Israel vai romper todos os contactos com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, anunciou na quinta-feira o embaixador do país, considerando "escandaloso" que Israel seja colocado numa lista negra por alegada violência sexual em zonas de conflito.

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"Estamos fartos deste secretário-geral", afirmou o embaixador israelita na ONU, Danny Danon, num vídeo publicado na rede X.

"A decisão de pôr Israel numa lista negra e de nos acusar de usar a violência sexual como arma de guerra é uma decisão escandalosa", disse, em referência a um relatório que o gabinete de Guterres deverá publicar em breve.

"O secretário-geral e a sua equipa continuam a espalhar mentiras sobre Israel. Colocar-nos na mesma lista que os terroristas do Hamas é inaceitável."

O Representante permanente de Israel nas Nações Unidas classificou a inclusão do país na lista da ONU sobre violência sexual como "vergonhosa e absurda".

A decisão "é mais uma prova da verdadeira natureza da ONU: uma organização politizada e corrupta, que abandonou os seus princípios fundadores e tem como missão principal visar sistematicamente Israel", afirmou no X o porta-voz do ministério, Oren Marmorstein.

A missão israelita junto da ONU declarou, num comunicado, que não manterá qualquer contacto com o gabinete do secretário-geral enquanto Guterres se mantiver no cargo.

Um porta-voz de Guterres, cujo mandato como chefe da ONU termina em 31 de dezembro, afirmou que o gabinete tinha conhecimento das declarações de Danon.

"Da nossa parte, a porta do secretário-geral continua aberta", disse o porta-voz, Stéphane Dujarric.

O relatório anual do secretário-geral da ONU sobre violência sexual em contexto de conflito é habitualmente apresentado aos Estados visados antes da publicação.

Em agosto passado, o relatório alertou que Israel poderia ser acrescentado à lista de partes suspeitas de, ou responsáveis por, violência sexual em situações de conflito armado.

O grupo armado Hamas figura na lista devido a alegações de violência sexual cometida durante o ataque de 7 de outubro de 2023 a Israel, bem como por alegados abusos contra reféns.

A ONU invocou "informações credíveis" sobre violência sexual alegadamente cometida pelas forças de segurança israelitas contra palestinianos em prisões e outros centros de detenção, sublinhando que foi negado o acesso dos seus inspetores a essas instalações.

"Convidámos o representante da ONU a vir a Israel para verificar essas alegações ridículas. Optaram por não vir", disse Danon.

Palestinianos inspecionam o local de um ataque aéreo israelita na Cidade de Gaza, 26 de maio de 2026
Palestinianos inspecionam o local de um ataque aéreo israelita na Cidade de Gaza, 26 de maio de 2026 AP Photo

As relações entre a ONU e Israel atingiram o ponto mais baixo desde o ataque sem precedentes do Hamas em 2023, que desencadeou a guerra de Israel em Gaza.

As autoridades israelitas criticaram Guterres e outros responsáveis da ONU por condenarem os devastadores bombardeamentos israelitas em Gaza. O chefe da ONU foi declarado "persona non grata" em Israel em 2024.

Israel também acusou funcionários da agência da ONU para os refugiados palestinianos, a UNRWA, de terem participado no ataque de 2023.

Outras fontes • AFP

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