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Reino Unido e Europa separados pela Irlanda

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Reuters
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A fuga para a frente continua depois da Câmara dos Comuns ter dado carta-branca a Theresa May para renegociar o acordo do Brexit com a União Europeia. A primeira-ministra britânica tem agora duas semanas para convencer Bruxelas a rever um documento que ela própria classificou de inegociável, até agora a União Europeia tem-se mantido intransigente.

Michel Barnier, negociador-chefe da UE para o Brexit, deixa bem claro que "as instituições europeias continuam unidas" e que se vão manter fiéis "ao acordo negociado com o Reino Unido, nunca contra o Reino Unido".

Em causa está o mecanismo de salvaguarda na fronteira entre as Irlandas, que não convence os deputados britânicos. No entanto, para Guy Verhofstadt o "backstop" é essencial: "é uma apólice de seguro e tem de garantir a 100% que não haverá uma fronteira física entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda. Não queremos que seja usada, é apenas uma garantia, uma salvaguarda, mas isso está dependente do que será a futura relação entre ambas as partes."

Ninguém deseja o regresso de uma fronteira física mas o relacionamento entre as duas Irlandas sempre se tratou de uma questão complexa. O eurodeputado dos Verdes, Philippe Lamberts, refere que "os defensores de um Brexit duro estão iludidos, continuam a negar que os condicionalismos legais do Acordo de sexta-feira santa são uma realidade e que tem implicações, no mínimo, no relacionamento entre a Irlanda do Norte e o resto da Ilha. Isto é um facto, não há volta a dar."

A questão da Irlanda tem-se revelado um obstáculo insuperável desde o primeiro dia do Brexit e Theresa May aposta forte numa alternativa ao mecanismo de salvaguarda... mesmo que até ao momento ainda ninguém tenha conseguido esclarecer que alternativa é essa.