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Militares tiram tapete ao presidente argelino

Militares tiram tapete ao presidente argelino
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Parece ser o fim da era de Abdelaziz Bouteflika, presidente da Argélia há mais de 20 anos, depois de um dos seus aliados lhe ter tirado o tapete. O chefe do Estado-Maior do Exército argelino, Ahmed Gaed Salah, apresentou um pedido para que Bouteflika seja afastado do cargo por incapacidade.

Num discurso transmitido pela televisão, Salah defendeu que a solução para a crise política deve estar dentro da Constituição e mencionou o artigo 102, segundo o qual o presidente pode ser considerado inapto por "doença grave e duradoura". O discurso surge depois de semanas de grandes protestos nas ruas, a pedir a saída do presidente.

Bouteflika sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) em 2013. Desde então está numa cadeira de rodas, as aparições são raras e nunca mais falou em público.

O anúncio de que se ia candidatar a um quinto mandato suscitou manifestações, as maiores dos últimos 30 anos. Depois, recuou e anunciou que desistia da recandidatura e adiava as eleições, mas isso não acalmou o povo.

Mas os manifestantes não querem só o afastamento do presidente, mas de todos os que estiveram no poder com ele.

"Não vamos parar aqui. Vamos continuar com o movimento e a observar até atingirmos o nosso objetivo que é a mudança de Governo. E todos vão ter de sair, se Deus quiser", realça Bilal.

"É uma decisão corajosa e é o primeiro passo no longo caminho para a democracia. Agradecemos este passo e estamos a aguardar mais. O movimento continuará até que alcancemos uma república democrática, a segunda república ", diz Zouheir.

Caso o Conselho Constitucional declare Bouteflika formalmente inapto para o cargo, as câmaras alta e baixa do Parlamento argelino terão de confirmar a decisão por uma maioria de dois terços.