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Hélène Grimaud toca Ravel: "uma emoção capaz de suspender o tempo"

Hélène Grimaud toca Ravel: "uma emoção capaz de suspender o tempo"
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Célebre pelo seu estilo versátil e cromático, a pianista francesa Hélène Grimaud tocou, recentemente, em Los Angeles, o Concerto para Piano e Orquestra em Sol Maior, de Maurice Ravel.

"É uma obra maravilhosa cheia de vitalidade. É estimulante. A obra tem uma força cinética incrível. Ravel inspirou-se no primeiro movimento de um comboio. Há um lado mecânico. É como uma máquina com alma", explicou a solista.

Hélène Grimaud tocou com a Orquestra Filarmónica de Los Angeles sob a direção do maestro francês Lionel Bringuier.

"Ela é capaz de tocar com muita suavidade e, ao mesmo tempo, criar uma enorme intensidade. É sempre mágico", disse Lionel Bringuier.

Ravel inspirou-se no primeiro movimento de um comboio
Hélène Grimaud
pianista francesa

O compositor francês Maurice Ravel compôs o Concerto para Piano e Orquestra em Sol Maior, no final dos anos 20 do século XX, após uma digressão pelos Estados Unidos.

"A digressão foi um enorme sucesso. O jazz e as músicas que ele ouviu nos Estados Unidos foram uma grande influência para ele. É uma obra muito animada. Podemos sentir a energia americana no swing, no ritmo e na vivacidade da obra"", contou o maestro francês.

Hélène Grimaud abordou a obra de Ravel com um espírito de "aventura" como quem procura uma experiência que suspenda o tempo.

"Estas obras podem acompanhar-nos ao longo de toda a vida, o que faz delas uma aventura. Penso que devemos abordar cada concerto com um espírito de aventura", sublinhou Hélène Grimaud.

"Uma obra cantada a partir da alma"

"Há um segundo andamento sublime, com uma melodia interminável. É como se a obra fosse cantada directamente a partir da alma. Para mim, o importante num concerto é transmitir uma emoção capaz de suspender o tempo", disse Hélène Grimaud.

Na infância, já tinha o sentimento de pertencer a outro lugar.
Hélène Grimaud
pianista francesa

A pianista francesa vive, hoje, nos Estados Unidos e recordou a primeira vez que visitou o país.

"Na infância, já tinha o sentimento de pertencer a outro lugar. Quando visitei os Estados Unidos ainda jovem, foi como se a questão da pertença deixasse de ter importância" contou Hélène Grimaud.

"Senti que os Estados Unidos eram a minha casa, porque nesse país toda a gente vem de algum lado. Artisticamente, sempre gostei da ideia de deixar uma margem e de chegar a um ponto em que já estamos demasiado longe para voltar para trás, mas, estando ainda longe da outra margem. Entre os dois lados, há um espaço de transformação, de metamorfose. É nesse espaço que é mais provável nos encontrarmos a nós próprios", confessou a pianista francesa.