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O futuro do trabalho e as competências digitais

O futuro do trabalho e as competências digitais
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Segundo a OCDE, 14% dos empregos atuais têm elevado risco de automatização. O Fórum Económico Mundial afirma, por seu turno, que metade dos trabalhadores deve melhorar as competências. A euronews visitou uma fábrica de peças para motores de avião, na cidade francesa de Le Havre.

"Antes fazíamos esta operação manualmente, era um trabalho físico, muito duro que levava três quartos do dia de trabalho. Agora, fazemo-la em um quarto do dia de trabalho. Com o robô de perfuração, o trabalho é muito preciso", contou Fabrice Bureaux, operário na linha de montagem da Safran Nacelles.

As tecnologias digitais permitem um trabalho mais eficaz, uma redução de custos e uma melhoria da competitividade das empresas. Mickael Lebaillif terminou recentemente a formação de Engenharia e especializou-se nas tecnologias digitais para facilitar a sua entrada no mercado de trabalho.

"Trabalhar com as novas tecnologias não é para toda a gente. Eu trabalho em duas áreas, a realidade virtual e a realidade aumentada, duas áreas pouco conhecidas no mundo industrial. É claro que nos abre portas. Arranjamos emprego mais facilmente porque já conhecemos essas tecnologias", afirmou o estagiário francês, formado no INSA.

"A ideia destas novas profissões é ter uma formação de base em engenharia industrial, conhecer a mecânica e a produção e outras coisas, e, além disso, possuir boas competências em todas as áreas digitais", sublinhou Nicolas Lepape, gestor de projetos, no Departamento de Investigação e Tecnologia, na empresa Safran Nacelles.

A robotização e o papel dos seres humanos nas empresas

A nova organização do trabalho permitirá à empresa fabricar dois mil novos motores em três anos. Antes eram precisos 15 anos. Mas, a automatização do trabalho coloca a questão de saber qual o papel dos seres humanos nas empresas.

"Esta transição deve ser positiva e para ser positiva tem de ser preparada. A fábrica do futuro é uma ferramenta industrial ao serviço das equipas e virada para os trabalhadores, para que eles possam centrar-se em tarefas com forte valor acrescentado. É isso que vai permitir ganhos em eficácia e fazer a diferença nas nossas atividades", disse Cédric Halé, diretor de Recursos Humanos da empresa.

Com a rápida evolução das tecnologias, o desafio é garantir a adequação entre a formação dos trabalhadores e as necessidades do mercado. Na cidade francesa de Lyon, Alain Guyot dirige uma comunidade de 19 mil empregadores que tentam responder a esse desafio.

"É uma grande interrogação, ainda não temos todas as respostas porque há muitas coisas que estão em fase de teste nas empresas. Por exemplo, de que forma a tecnologia vai responder às questões relativas à proximidade com o cliente, à inovação, ao desenvolvimento internacional, às expetativas do cliente. Todas essas questões podem dar origem a novas profissões", afirmou Alban Guyot, diretor da empresa Entreprise du Futur.

"Faltam competências digitais básicas a quase 70 milhões de pessoas na Europa"

A taxa de desemprego da União Europeia ronda os 6,5%, uma das mais baixas dos últimos anos. Mesmo assim, na Europa há 16 milhões de pessoas sem trabalho. A euronews falou com a Comissária Europeia para o Emprego, os Assuntos Sociais, as Competências e a Mobilidade sobre os desafios do mundo laboral.

euronews: "Quais são os principais desafios do mundo do trabalho?"

Marianne Thyssen: "Penso que um dos principais desafios prende-se com as competências das pessoas. Faltam competências digitais básicas a quase 70 milhões de pessoas na Europa, o que não está bem. Há muitas vagas que não são preenchidas. Temos de melhorar as competências das pessoas, melhorar a educação e a formação, para que sejam relevantes para o mercado de trabalho. Quando falo nestes temas, digo sempre que a empregabilidade não é uma palavra suja. Temos de ter em conta que as pessoas quando terminam os estudos, têm de ir para o mercado de trabalho e a transição deve fazer-se o melhor possível".

euronews:"Como garantir que os cidadãos adquiram essas competências de forma eficaz?"

Marianne Thyssen: "Temos de pedir aos cidadãos para olharem para as suas competências, fazerem um esforço e estarem preparados para a aprendizagem ao longo da vida. Não basta acabar a universidade, obter um certificado e já está. Não! É preciso adquirir competências, melhorá-las e aumentá-las ao longo da vida. Por outro lado, os governos e das autoridades públicas, devem fazer a sua parte e garantir que há boas ofertas disponíveis. É o que tentamos fazer nas nossas recomendações sobre a atualização de competências, para dar aos adultos um segunda oportunidade. Pedimos aos Estados membros para garantirem que as pessoas possam atualizar as suas competências e que possam ter uma avaliação individual para poderem receber uma oferta adaptada e para poderem manter um registo dessas competências".

euronews: "Como aproveitar da melhor forma o potencial da União Europeia em termos da globalização e das cadeias de fornecimento?"

Marianne Thyssen: "Temos de estar prontos como Europeus a assumir a liderança e tentar não só exportar produtos e serviços mas também os nossos valores. Muitas pessoas de outras partes do mundo olham para a Europa devido à nossa qualidade de vida. Temos de garantir que as pessoas no futuro tenham uma boa qualidade de vida. Nos nossos acordos de comércio, sobre serviços, produtos e cadeias de valor global temos de garantir que há acordos sobre proteção ambiental, emprego, segurança social, condições de trabalho dignas, entre outras coisas".

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