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O caminho do fim do acordo nuclear iraniano

O caminho do fim do acordo nuclear iraniano
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De  Teresa Bizarro
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A mudança de posição dos EUA põe em causa o acordo que demorou anos a alcançar. Os próximos dias ditarão se os danos são reparáveis

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Aos olhos dos Estados Unidos, em três anos, o plano de acção conjunto assinada pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, Alemanha, União Europeia e Irão passou de vitória internacional da diplomacia a um acordo para rasgar sem pudor.

O chamado acordo nuclear iraniano pretendia controlar as ambições de Teerão quando à produção de armamento nuclear. A chefe da diplomacia europeia não poupou nos elogios quando anunciou o entendimento ao fim de anos de negociações. Nas palavras de Federica Mogherini, tinha-se alcançado o que o mundo desejava "com coragem, vontade política, respeito mútuo e liderança", classificando o acordo como "um compromisso conjunto pela paz, de mãos dadas para tornar o mundo mais seguro."

Pontos fortes do acordo:

  • Limite para as reservas de urânio enriquecido, material usado para produzir combustível para reatores, mas também armas nucleares;
  • Fim da produção de plutónio com a utilização de reatores de águas pesadas;
  • Autorização para a visita dos inspectores da Agência de Energia Atómica Internacional;
  • Levantamento das sanções.

O acordo foi reforçado posteriormente com uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, mas nem isso impediu, no ano passado, que o Presidente dos Estados Unidos fizesse letra morta do compromisso. "O facto é que isto foi um horrível acordo unilateral que nunca devia ter sido feito. Não trouxe calma, não trouxe paz e nunca vai trazer," afirmou Donald Trump.

O chefe de Estado norte-americano restabeleceu todas as sanções e, no mês passado, recusou prolongar as medidas que permitiam que alguns países pudessem comprar petróleo ao Irão.

Na escalada de pressão sobre o governo iraniano, Washington enviou um porta-aviões para o Médio Oriente ao mesmo tempo que acusava Teerão de destabilizar a região.

A União Europeia assumiu-se como guardiã do acordo, lutando para que continuasse a ser respeitado e estimulando o comércio entre os signatários, mas foi esbarrando com cada vez mais dificuldades, agravadas pelas sanções norte-americanas.

O Irão foi dando sinais de descontentamento com a falta de resultados das acções de Bruxelas e procurou na Rússia um aliado para entrentar uma nova fase, sem acordo internacional de regulação nuclear.

Ao longo de todo o processo, a Agência Internacional de Energia Atómica, publicou vários relatórioa. Todos dando conta de que o Irão estava a cumprir o acordado em 2015.

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