Holanda parcialmente responsável pelo massacre de Srebrenica

Holanda parcialmente responsável pelo massacre de Srebrenica
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De  João Paulo Godinho
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Supremo Tribunal entendeu que os capacetes azuis holandeses negligenciaram os riscos na dos muçulmanos bósnios nas mãos do Exército bósnio da Sérvia.

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Uma decisão do Supremo Tribunal da Holanda considerou esta sexta-feira o estado holandês parcialmente responsável pelo massacre de Srebrenica.

Mais de 8000 muçulmanos bósnios morreram em julho de 1995 às mãos do exército bósnio da Sérvia, numa área que estava sob proteção de capacetes azuis holandeses das Nações Unidas.

"Os capacetes azuis holandeses privaram estes refugiados do sexo masculino da possibilidade de não cair nas mãos dos sérvios bósnios. Tal como o Tribunal de Recurso decretou, isso foi um erro, porque naquele momento os capacetes azuis sabiam que esses refugiados estavam em sério risco de serem maltratados e assassinados. Deveriam ter feito tudo o que era possível para evitar isso", afirmou o juiz Kees Streefkerk.

A sentença do tribunal abre espaço aos familiares das vítimas para exigirem indemnização ao estado holandês, mas a responsabilidade limitada do país não desperta grande consolo entre os familiares.

"Ninguém neste mundo pode apagar aquilo que tivemos de passar. Nós somos as testemunhas vivas, sabemos que papel os soldados holandeses desempenharam e o que fizeram. Sei que eles poderiam ter salvado pessoas, incluindo o meu filho", confessou a mãe de uma das vítimas no exterior do tribunal.

Esta decisão do Supremo Tribunal holandês pode ainda abrir um precedente internacional na responsabilidade dos estados em missões de manutenção de paz.

O caso foi levado a tribunal pela associação 'Mães de Srebenica', que procuravam justiça para os rapazes e homens de origem muçulmana bósnia mortos pelas forças do general Ratko Mladic. O tribunal estimou a responsabilidade holandesa em 10% dos danos sofridos pelos familiares de cerca de 350 vítimas.

Srebenica representou o pior massacre na Europa desde a segunda Guerra Mundial. Foi considerado em 2004 um genocídio, embora a Sérvia continue a negar tal designação.

Outras fontes • LUSA / AFP

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