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Economista uigur Ilham Tohti recebe prémio Sakharov

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Economista uigur Ilham Tohti recebe prémio Sakharov
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O economista uigur Ilham Tohti é o vencedor do prémio Sakharov 2019 por ter dedicado a vida à luta em prol dos direitos da minoria muçulmana chinesa.

Detido há cinco anos, Ilham Tohti não pode estar presente na atribuição do prémio. A correspondente da euronews para a União Europeia, Isabel Marques da Silva, entrevistou a filha.

"A última vez que falei com o meu pai foi em 2014 através do Skype e foi no dia anterior a ser preso. A última vez que soube do meu foi em 2017. Penso que final de 2017 foi a última vez que fui autorizada a visitar o meu pai. Foi ele próprio que redigiu o seu próprio recurso ao tribunal que foi rejeitado, creio que o tribunal nem sequer leu o recurso", afirma Jewer Ilham, filha do economista uigur premiado.

Documentos chineses secretos revelaram recentemente como funcionam os campos de detenção de muçulmanos situados na região de Xinjiang.

Pequim afirma que se tratam de centros vocacionais mas os documentos provam que são dirigidos como prisões.

"Muitas das pessoas que estão detidas nos campos são professores universitários, intelectuais, artistas, jogadores de futebol, comediantes. Essas pessoas não necessitam de formação vocacional" denuncia Jewer Ilham.

euronews: Pratica-se a tortura nesses locais?

"Acredito que sim. Entrevistei alguns dos sobreviventes dos campos e todos eles testemunharam terem sofrido torturas semelhantes como arrancar unhas, rapar o cabelo, passar fome, espancamentos e serem drogados", afirma.

Jewer Ilham deixa um apelo à União Europeia para agir.

"Existem muitos passos concretos que a União Europeia pode tomar, tal como já fizeram os Estados Unidos. Impôr restrições de visto sobre funcionários do governo. Funcionários governamentais chineses que apoiam os campos. Isto é uma grande ajuda. Impor sanções sobre as empresas chinesas ou ocidentais que apoiam ou importam produtos dos campos de concentração".