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Atores israelita e iraniano juntos em palco para falar de guerra

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Atores israelita e iraniano juntos em palco para falar de guerra
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Porque é que os homens partem para a guerra e porque é que o amor das mulheres não os detêm? A tentativa de resposta em formato teatral vem de um ator nascido no Irão e de outro criado em Israel.

Desde 2013 que Sahand Sahebdivani e Raphael Rodan colaboram, algo pouco comum entre nacionais de países inimigos há muitas décadas, e aparecem juntos em palco na peça "O meu pai empunhava uma arma", no Teatro Nacional, em Bruxelas.

"Quando se começa a trabalhar como alguém de origem iraniana e alguém de origem israelita, vê-se que há muitos pontos para fazer conexão e muitas maneiras de colaborar do ponto de vista humanista e artístico", afirmou Sahand Sahebdivani, ator iraniano.

" Eles têm tanto em comum que, de certa maneira, a separação é que é algo artificial. No fundo existe um substrato de conexão muito rico", disse Raphael Rodan, ator israelita.

A peça baseia-se em cartas escritas por soldados da Primeira Guerra Mundial e explora as condições para fazer a paz.

"Sonhamos com o dia em que também poderemos apresentá-la no Irão, é o grande sonho. Penso que se chegarmos ao ponto em que poderemos representar no Irão, isso significa que há paz e nessa altura já ninguém quer ver esta peça", afirmou Sahand Sahebdivan.

Feminismo, pacifismo, justiça são os temas principais da peça. A arte poderá não resolver os problemas, mas os atores consideram que contribui para estabelecer estados de espírito conducentes à reconciliação.

"Não penso que a arte tenha o poder de acabar com as guerras, mas faz outra coisa que, na minha perspectiva, é deixar uma luz acesa, para que nunca entremos na escuridão total", considera Sahand Sahebdivani.

Esta dramaturgia recorre a muito humor e à música para proporcionar essa distensão e esperança.

"Em hebraico, há uma expressão muito bonita, muito conhecida na cultura judaica. Diz: "Quem mudar uma alma, mudou o mundo todo". De cada vez que entro no teatro, é claro que quero que haja mudança, mas não é a ideia de que posso mudar o mundo. É mais... Como posso chegar até si?", oncluiu Raphael Rodan.