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Cresce o número de toxicodepentes em Angola

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Cresce o número de toxicodepentes em Angola
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O número de toxicodependentes em Angola tem vindo a aumentar consideravelmente. A Ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta considera já um flagelo que deve ser combatido por todas as franjas da sociedade: "A droga no nosso país começa a ser um flagelo importante, na base da violência que tem ocorrido e que tem estado a aumentar. Há muita droga também na base dos acidentes de viação, que são a segunda maior causa de mortes no nosso país", disse a governante à euronews.

Em 2019, o Serviço de Investigação Criminal (SIC) deteve 1941 cidadãos por tráfego de drogas, sendo 1928 de nacionalidade angolana, dez da RDC, sete sul-africanos e três cabo-verdianos, moçambicanos e nigerianos.

"No ano de 2019 o serviço de investigação criminal apreendeu 64 quilogramas de cocaína, 273 gramas de crack, 17,5 toneladas de canábis e procedeu a destruição de 23.000 plantações", explica o subcomissário Tomás Agostinho.

Em algumas localidades, jovens com apenas 13 anos dizem ter fácil acesso às drogas, como conta Josineu Notícia, ex-toxicodependente: "Eu estudava com pessoas já crescidas, maiores de idade, com 18 e 17 anos, porque eles estavam atrasados. Como já tinham acesso a isso, foi fácil eu também ter acesso às drogas. Com 13 anos, já conhecia o sítio onde se comprava", conta.

De acordo com o relatório do Serviço de investigação Criminal angolano, a maior parte da droga que circula no país obedece um circuito já conhecido: Sai do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo (Brasil), passa pelo aeroporto Quatro de Fevereiro em Luanda e segue, na maioria, para países como África do Sul, Namíbia e Moçambique.

"A distribuição, hoje, é maioritariamente feita num circuito fechado, onde há uma comunicação direta entre os consumidores e os distribuidores", explica Tomás Agostinho.

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Maria do Nascimento, presidente do Grupo de Mulheres Parlamentareseuronews

Com o objetivo de sensibilizar e reduzir o consumo de drogas por parte da juventude, o Grupo de Mulheres Parlamentares lançou esta quinta o Movimento de Prevenção e Combate ao uso de droga.

"Temos recebido algumas organizações que pedem audiência e que vêm falar connosco sobre esta matéria relacionada com drogas. Assim sendo nós achamos que de facto devemos criar uma estrutura para trabalhar junto das instituições do governo no combate ao uso de drogas e estupefacientes", diz a presidente do Grupo das Mulheres Parlamentares, Maria do Nascimento.

Recentemente o SIC procedeu à incineração de cerca de 467 quilogramas de cocaína, apreendidas no porto de Luanda, resultado de uma operação conjunta com a polícia marroquina a Interpol.