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Eurogrupo centra-se nos instrumentos financeiros de curto prazo

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Eurogrupo centra-se nos instrumentos financeiros de curto prazo
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O presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, espera obter consenso, terça-feira, sobre medidas financeiras para a resposta de curto prazo ao impacto da Covid-19 nos serviços de saúde, empresas e trabalhadores.

Centeno quer que a reunião dos ministros das Finanças dos 19 países da zona euro seja produtiva e deixará para outros encontros o debate sobre a estratégia de recuperação económica de longo prazo, para o qual se voltou a usar o termo Plano Marshall, e que poderá vir a necessitar da emissão de dívida pública feita em conjunto pelos Estados-membros.

De recordar que esse plano dependerá, também, da aprovacão do orçamento plurianual da União Europeia, para 2021-2027, que ainda está a ser reescrito pela Comissão Europeia, a fim de ser apresentado numa próxima cimeira de líderes da União.

Quatro propostas na mesa

Quanto às propostas em cima da mesa nesta reunião do Eurogrupo, há algumas que têm grande potencial para causar divisões entre os 19 países.

A última foi apresentada pelo governo da França e visa criar um fundo de solidariedade, alternativo aos eurobonds, isto é, títulos de dívida pública conjunta.

"Trata-se de preparar a saída da crise, para fazer um relançamento da economia através de um plano estratégico e massivo de investimentos", explicou, em entrevista à euronews, Valéry Hayer, eurodeputada liberal francesa.

A Alemanha prefere dar prioridade ao existente Mecanismo Europeu de Estabilidade, que tem uma capacidade de empréstimo de 400 mil milhões de euros.

Mas a Itália está contra porque isso significaria condições severas como as impostas pela troika no passado, a não ser que a Alemanha e os Países Baixos aceitem rever essa cláusula.

Há mais consenso sobre o novo programa SURE, em que a Comissão Europeia avança com 100 mil milhões de euros para os governos poderem pagar esquemas de trabalho de curta duração.

Por seu lado, o Banco Europeu de Investimento poderá mobilizar 25 mil milhões de euros para reduzir o impacto da crise nas pequenas e médias empresas.

Mas a capacidade de pagar a dívida gerada por estes instrumentos é desigual entre os Estados-membros.

"A questão é que, quando tudo isso acabar, alguns países terão uma dívida pública muito alta, tão alta que não conseguirão lidar com o esforço de investimento que a recuperação da economia europeia precisará", disse Jonás Fernández, eurodeputado espanhol do centro-esquerda, em entrevista à euronews.

Após o fracasso da última cimeira da UE, a 26 de março, a "bola" passou para o Eurogrupo, que está sob pressão para fechar o abismo entre os países mais ricos, do norte, e os mais pobres, do sul.