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"O meu filho disse que foi melhor do que ganhar um lego"

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"O meu filho disse que foi melhor do que ganhar um lego"
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O coronavírus continua a matar em todo o mundo mas muitos dos infetados sobrevivem. No Unreported Europe, vamos conhecer pessoas que venceram a batalha contra a doença. Estão confinadas em casa, em toda a Europa, e falam-nos da vida com o vírus, e depois dele".

Resistir

Jess Marchbank é enfermeira e tem 33 anos. É casada e tem dois filhos pequenos. Vive em Devon, no Reino Unido, e foi a primeira doente com um caso confirmado de coronavírus a ser tratada no North Devon District Hospital. Começou com uma tosse ligeira e foi levada para o hospital, três dias depois, em agonia.

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Passou vários dias internada e depois, quando foi para casa, passou vários dias em isolamento antes de poder abraçar os filhos e o marido.

"A dor era lancinante. As minhas articulações pareciam estar a arder. Tinha uma dor de cabeça muito forte e uma apatia pura. Eu não conseguia mexer-me. A dor era demasiada para me mexer".

Matt Dockray tem 39 anos e vive no Reino Unido. Passou vários dias nos cuidados intensivos e diz que esteve “às portas da morte". Agora, em casa, ainda tem de fazer exercícios respiratórios todos os dias.

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"És levado para uma sala de isolamento e toda a gente entra em fatos especiais. Ligam-te a todas as máquinas e olham para os teus sinais vitais. E nessa altura disseram que o meu corpo não está a absorver o nível certo de oxigénio, que estava criticamente baixo. O meu pulmão direito tinha colapsado e o meu pulmão esquerdo não estava nada bem".

Joshua Dopkowski nasceu nos Estados Unidos e vive em Ecully, em França, com a filha Ayla Dopkowski de 8 anos. Os dois foram infetados com Covid-19. O caso de Joshua era bastante grave mas ele não foi hospitalizado. Passou mais de duas semanas em confinamento com a filha.

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Os seus amigos e vizinhos ajudaram-nos. E saíram de casa, pela primeira vez, esta semana.

“Estar nessa situação, estar doente com algo que é potencialmente mortal é absolutamente aterrador. Por isso penso que para mim, como pai, ter a Ayla por perto foi importante.

Tive de pensar nesta pessoa que precisa de ser cuidada. E ela ajudou-me bastante

Kike Mateu vive em Valência. É jornalista desportivo e diz que foi o primeiro jornalista em Espanha a ser diagnosticado com o Covid-19.

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Esteve infetado durante 31 dias e passou 24 dias no hospital.

“A doença evolui muito lentamente. E não se sabe quando é que vai acabar. O mais difícil, mentalmente, é aceitar que simplesmente não se sabe quanto tempo vai durar o coronavírus. Estive infetado durante 31 dias".

Lucie Laville é francesa. É enfermeira de reanimação no Hopital Universitaire de Geneve, na Suíça. Trabalha na primeira unidade de Covid-19 que foi inaugurada na cidade. Não teve sintomas graves, além de tosse temporária e dores de cabeça, mas foi diagnosticada com o vírus. Ficou em isolamento, em casa, durante 10 dias. Voltou ao trabalho esta semana.

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“Para mim, o mais difícil foi saber que a minha ajuda era necessária na minha unidade de reanimação e que eu estava confinada em casa, assintomática e sem poder fazer o meu trabalho. É difícil para os meus colegas, para nós. As condições de trabalho são muito especiais, mas é o nosso trabalho. A primeira pessoa que morreu foi um senhor idoso.

Fomos ter com ele e segurámos-lhe na mão. E acompanhámos os últimos cinco minutos da sua vida. Porque é muito complicado.

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Guglielmo Schinina é italiano. É chefe do Departamento de Saúde Mental da OIM e vive em Bruxelas, . Não foi testado porque esse não é o procedimentona Bélgica . Mas os médicos disseram que tinha o Covid-19 e esteve isolado em casa durante várias semanas.

Laurence Rétaméro tem 57 anos e vive no sul de França. É artista plástica. Foi-lhe diagnosticada a Covid-19 e passou cinco dias no hospital .

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Diz que o apoio dos amigos, reais e do Facebook, foi central na sua recuperação.

Ranim Aldaghestani é síria. É jornalista e vive em França, com a mãe e os dois filhos. A sua principal preocupação é não contaminar a família.

Christos Kellas é grego. É membro do Parlamento (Nova Democracia). Foi um dos primeiros casos conhecidos de Covid-19 na Grécia.

Foi internado no Hospital Universitário da região de Larissa.

Henri Lapierre tem 82 anos . É um empresário reformado. Passou uma semana no hospital em Marselha, em total isolamento. Foi curado com um tratamento com cloroquina. Diz que uma mentalidade positiva e uma vida saudável o ajudaram muito a recuperar.

E quando disseram que estava curado?

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Kike Mateu: Foi extraordinário, emocionante, impressionante! Finalmente, podia ver a minha família, depois de quase um mês. Foi um momento incrível. Nunca vou esquecer.

Jess Marchbank: Senti-me realmente abençoada, realmente privilegiada por fazer parte da estatística positiva. E o meu filho que era o melhor presente de sempre, melhor do que um Lego. E foi realmente especial. Vou guardar aquele abraço para sempre.

Matt Dockray: A segunda fase é o desconhecido. Não sabemos quais são as consequências a longo prazo e se podemos ser infetados outra vez .Mas eu continuo positivo. E sempre que tenho um momento negativo, lembro-me do que passei. Restabeleço-me e percebo onde estou agora.

Houve algo de positivo nesta experiência?

Matt Dockray: As coisas que queremos fazer. Tudo o que sempre pusemos de lado ou não fizemos ou não nos importámos, de repente queres fazer. Queres mudar e tornar-te uma pessoa melhor, melhor para as outras pessoas e para os que te rodeiam. Não de um ponto de vista egoísta, mas tu queres fazer a diferença".

Kike Mateu: As pessoas que trabalham nos hospitais são maravilhosas. As pessoas e a forma como trabalham estão agora no meu coração. E vão estar para sempre. Porque esse é um lado maravilhoso de ter vivido com o coronavírus.

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Guglielmo Schinina: Pensei também na sorte que tenho tido. E como deve ser muito mais difícil para aqueles que podem não ter acesso aos cuidados de saúde. Como para muitos migrantes, em situações irregulares, ou que simplesmente têm medo de ir para os serviços de saúde.

Laurence Rétaméro: Senti-me extremamente acarinhada pelos meus familiares.

E senti que eles eram, coletivamente, uma força de energia positiva para mim.

Ayla Dopkowski: Penso que é bom que outras pessoas façam coisas como ir às compras, deixem as suas casas, para fazer estas coisas por nós. Arriscam algum do seu tempo e arriscam-se a apanhar o vírus. E se eles nos pedirem para fazer isso por eles, nós dizemos que sim, porque eles fizeram isso por nós.

Ranim Aldaghestani: O nosso planeta voltou a respirar. Depois das várias medidas de confinamento em todo o mundo, depois do encerramento de muitas fábricas e de aeroportos. Estas medidas reduziram drasticamente as emissões de CO2 que poluem o nosso ar. E tudo isto ensinou-nos que temos de preservar a nossa grande casa.

Se tivesse apenas uma mensagem para enviar a todos

Lucie Laville: Fique em casa! Ao nosso nível, ao nível de cada indivíduo, é a única coisa que podemos fazer. Porque não quero ter de perguntar: "Prefer o seu pai ou a sua mãe? Porque eu só tenho um ventilador. Eu tenho dois doentes e um ventilador. Quem é que escolhemos? Quem prefere? Isso é horrível.

Christos Kellas: Esta mensagem vem de uma pessoa que lutou contra o coronavírus e ganhou. De facto, ganhou depois de uma batalha muito difícil. Precisamos de ficar em casa! Talvez alguém não se queira proteger, talvez alguém se queira prejudicar, mas não tem o direito de prejudicar a saúde pública, de prejudicar a sociedade.

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Jess Marchbank: Aprecie os momentos. Abrace os seus filhos. Ligue para os seus avós. Faça as pessoas saberem que as ama. Que está lá, que sentes falta deles, que se preocupas com eles. Sim, sem dúvida.

Henri Lapierre: Acima de tudo, há uma mensagem de esperança: é possível atravessar a doença em boas condições. Portanto, é isso que é realmente importante. Não ser fatalista e pensar que está tudo acabado. Não, isso não é verdade.

Eu penso que é importante manter uma mentalidade positiva. E isso ajuda a voltar a uma vida normal.

Laurence Rétaméro: Penso que é fundamental aumentar as nossas energias e reforçar a nossa imunidade através de uma mentalidade positiva, tanto quanto possível. Obrigada por esta reportagem positiva, penso que é necessário. É essencial. Tem de ser repetido. Vamos ultrapassar isto, é claro que vamos ultrapassar.

Guglielmo Schinina: Temos de pensar não só em nós e nos nossos próprios países, mas em todo o mundo. Caso contrário, estas coisas vão continuar a acontecer. Devemos trabalhar em conjunto nestas questões.

Joshua Dopkowski: O mundo inteiro precisa de abrandar. E nós ainda podemos comunicar. Temos a bênção de comunicar através da tecnologia digital em todo o mundo. Não precisamos de andar tão depressa, de viajar tanto e de consumir tanto".