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Pandemia mostra falhas na cooperação militar da UE

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Pandemia mostra falhas na cooperação militar da UE
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A Covid-19 é um inimigo que também se combate com a ajuda das Forças Armadas pelo que os ministros da Defesa da União Europeia fizeram um balanço, esta semana, do grau de de prontidão.

A cooperação com a Proteção Civil na construção de hospitais de campanha e o transporte de equipamentos médicos foram algumas ações levadas a cabo por militares, mas os especialistas dizem que faltou coordenação e protagonismo à União.

"O exemplo da pandemia mostra-nos, infelizmente, que a União Europeia não está à altura. A Covid-19 mostrou que cada um age por sua conta. Alguns governos pediram ajuda a países europeus e nunca a receberam. Vemos que a União Europeia enquanto bloco está totalmente ausente na luta contra o coronavírus e que se regressou a estratégias políticas puramente nacionais", disse Jean-Luc Gala, especialista em doenças infecciosas e professor na Universidade da Lovaina (Bélgica).

Mais dinheiro para a defesa?

A União Europeia chegou a criar uma força de trabalho para mobilizar os recursos militares de alguns Estados-membros a fim de transportar pacientes e produtos médicos entre países do bloco.

Espera-se que no futuro haja melhor coordenação na resposta a situações similares à pandemia atual, nomeadamente um hipotético ataque com armas biológicas ou químicas.

Os recursos financeiros devem ficar previstos no orçamento europeu para 2021-2027, disse o chefe da diplomacia comunitária, Josep Borrell.

"Espero que, face a este cenário, os recursos alocados à política de defesa e segurança não diminuam, porque a Covid-19 trouxe uma nova ameaça que exige uma política de defesa e segurança mais forte, uma Europa mais forte no mundo", disse Borrell, terça-feira, em conferência de imprensa.

Reestruturar indústria europeia

Um ponto-chave prende-se com novas estratégias para evitar que se repitam os problemas no abastecimento de material e produtos médicos, muitas vezes vindos de outras regiões do mundo.

Terá de haver maior capacidade de produção interna, mas será sempre preciso importar e deve haver coordenação para obter melhores condições para todo o bloco, segundo Hannah Neumann, eurodeputada ecologista alemã.

"O grau de globalização que temos, atualmente, ao nível da cadeia internacional de abastecimento faz com que, por exemplo, 90% das máscaras sejam produzidas na China. Temos de rever esta situação e avaliar cuidadosamente quais são os equipamentos importantes, as indústrias importantes das quais dependemos", disse a eurodeputada, em entrevista à euronews.

"É preciso avaliar quais são os setores industriais cruciais que devem existir na Europa para garantir que, em caso de novos problemas na cadeia global, não estejamos tão vulneráveis como estivemos desta vez", alertou Hannah Neumann.

Uma avaliação que deve ser rápida e seguida de ação concreta porque novas ondas pandémicas estarão no horizonte.