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Pandemia pode agravar a escravatura moderna

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Pandemia pode agravar a escravatura moderna
Direitos de autor  Dita Alangkara/Copyright 2016 The Associated Press. All rights reserved. This material may not be published, broadcast, rewritten or redistribu
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O Reino Unido é um dos países onde a realidade das redes organizadas de escravatura moderna se tem tornado mais evidente. Os casos vão-se sucedendo e costumam começar com falsas promessas de emprego e acabar em violência e tortura psicológica.

O jornalista Damon Embling aponta que, "no ano passado, foram identificadas mais de 10.600 alegadas vítimas de escravatura neste país, o que representa uma subida de 50% em relação a 2018. A maior parte dessas vítimas tem como proveniência zonas mais distantes do Reino Unido, a Albânia e o Vietname".

Mas há outras origens recorrentes, como a Polónia. Há menos de um ano era desmantelada uma rede que explorava polacos em situação vulnerável - antigos presos ou sem-abrigo, por exemplo -, que eram forçados a trabalhar na separação de lixo e em quintas.

Há muito poucas acusações produzidas no quadro da nova lei sobre a escravatura moderna
Unmesh Desai
Partido Trabalhista britânico

Ella Read, da associação de solidariedade Hestia, salienta que, à medida que a atividade económica retoma após as restrições sanitárias, "aumenta o risco de pessoas em contexto de exploração em certos setores. E o risco agrava-se ainda mais se os empregadores tiverem menos recursos financeiros para pagar salários".

Esta associação criou recentemente uma casa-abrigo para sobreviventes. Ella Read fala também noutra preocupação: o facto de existirem atualmente restrições em termos de viagens significa que os traficantes "irão encontrar formas mais criativas para deslocar pessoas entre países, para trazê-las para o Reino Unido ou para movimentar cidadãos britânicos também".

Em 2015 foi criado um quadro legal para reforçar o combate ao tráfico humano. No entanto, muitos críticos dizem que as novas disposições britânicas não vão tão longe quanto deviam.

Nancy foi vítima de escravatura e questiona o porquê de não haver um estatuto legal que permita a pessoas na sua situação ficarem a residir no Reino Unido. Segundo Nancy, "é isso que pode ajudar os sobreviventes a reconstruírem as suas vidas" e "não caírem outra vez nas malhas das redes de tráfico".

Unmesh Desai, do Partido Trabalhista, destaca uma das grandes falhas nesta matéria, que é: "há muito poucas acusações produzidas no quadro da nova lei sobre a escravatura moderna. É preciso incrementar a aplicação das medidas previstas. Há muito por fazer".

E sobretudo numa altura em que a pandemia aumentou o número de pessoas em situação vulnerável e, portanto, de alvos potenciais para estas redes de crime organizado.