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África, Caraíbas e Pacífico discutem como ultrapassar a pandemia

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Luanda, ANgola
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A Covid-19 é um desafio mundial, de Saúde, Sanitário, mas com implicações muito mais amplas. Os líderes dos países de África, Caraíbas e Pacífico reuniram-se, por videoconferência para partilhar opiniões e experiências, para procurar soluções, partindo da ideia de que só com solidariedade internacional e resiliência é possível ultrapassar a crise criada pela pandemia. Ideia partilhada pelo Presidente do Conselho Europeu, Charles Michel:

"A solidariedade deve sustentar esta resposta conjunta. Não é uma solidariedade baseada em extravios, não é uma solidariedade de fraudes, mas sim uma solidariedade de ação, tangível e real. (...) A União __Europeia está a adotar ações ousadas para superar o coronavírus em casa, mas não vamos virar as costas às nossas responsabilidades globais e em relação a África, em particular", afirmou o responsável europeu.

Solidariedade que não é visível, atualmente, a nível global e que se lê nas palavras do Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres:

"O Covid-19 expôs as fragilidades do mundo; expôs injustiças profundas e desigualdades de salários, de género, de raças e muito mais. Voltar a um sistema que criou estas fragilidades está fora de questão. Todos os nossos esforços devem centrar-se na construção de sociedades e economias mais justas, inclusivas, resilientes e mais sustentáveis, baseadas na Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável", frisou o antigo primeiro-ministro português.

Mas o desfio é hercúleo e passa por unir países que, para já, demonstram lutar apenas pela sua sobrevivência. Para a Organização Mundial de Saúde África, Caraíbas e Pacífico, podem desempenhar um papel fulcral neste processo, como explicou Tedros Adhanom, o secretário-geral da organização, em direto por vídeo conferência:

"Gostaria que as vossas vozes unissem o mundo. Sem solidariedade e com as divisões que vemos o vírus vai reaparecer. Espero que consigam convencer sobretudo os grandes líderes, os maiores países a trabalhar em conjunto", afirmou Adhanom.

Juntos estes países, que englobam os de expressão portuguesa em África - Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe - somavam no fim de maio mais de cento e doze mil casos de infeção e três mil óbitos. Números que parecem, relativamente, baixos mas que para o presidente do Quénia, o anfitrião do evento, resultam num impacto desproporcionado, e em alguns casos devastador, nas economias já pressionadas por outros fenómenos como as alterações climáticas:

"Quase todos os nossos países estão a debater-se com graves problemas para pagar as dívidas externas, o que reduz a nossa capacidade orçamental. Estimamos que, já este ano, os países membros da nossa organização tenham de pedir entre 50 e 60 mil milhões de dólares para cumprir as obrigações externas", alertou Uhuru Kenyatta.

Perdoar a dívida, restruturá-la em alguns casos, foram questões que estiveram em cima da mesa e apelos que foram lançados com promessas, de interlocutores internacionais, de que as vozes destes países serão ouvidas.