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Comuna de Bruxelas homenageia mulheres

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Comuna de Bruxelas homenageia mulheres
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São placas pequenas em tamanho mas ricas em simbolismo. São presenças comuns em muitas cidades europeias e servem para acontecimentos e figuras não cairem no esquecimento.

Esta semana, a comuna de Etterbeek em Bruxelas rebaptizou onze ruas cujos nomes tinham conotações colonialistas.

A partir de agora e durante 9 meses as ruas terão nomes como Rosa Parks, Berta Cacéres, Kebedech Seyoum, tudo nomes de figuras associadas à luta por direitos fundamentais.
O projeto deveria ter sido lançado em março por ocasião do Dia Internacional da Mulher.
A pandemia levou ao adiamento. Acontecimentos recentes relacionados com o racismo dão novo eco a esta iniciativa.

"Não é por acaso que existe raiva, é porque existe uma indiferença e se calhar e´uma boa altura para ganharmos consciência de várias coisas, principalmente do facto de que as vidas das pessoas variam em função da cor da pele, do género, orientação sexual ou incapacitamento. Quando se acumula tudo, por exemplo, uma mulher negra incapacitada, então a vida torna-se muito difícil", afirma Françoise de Halleux, adjunta do presidente da câmara de Etterbeek e responsável pela pasta da igualdade de género e diversidade.

A mudança dos nomes das ruas é uma medida temporária. De momento, todos aprovam o projeto, principalmente as mulheres. As organizações de luta contra o racismo também estão de acordo mas sublinham que a sociedade belga deve ir além dos símbolos.

"Temos que chegar à abolição de todas as discriminações estruturais de que são vítimas as pessoas vindas da emigração. Isso passa pelo fim da discriminação no emprego, discriminação no alojamento, criar uma certa visibilidade, entre outras coisas. O trabalho com as estátuas e os nomes das ruas é apenas a ponta do icebergue" reclama Carlos Crespo, da MRAX, o movimento contra o racismo, anti-semitismo e xenofobia.

A iniciativa da comuna de Etterbeek gerou debate à escala local e mesmo nacional.
Há quem critique estes projetos de alterações do nome das ruas ou a remoção de estátuas.

"Isso não faz sentido... a remoção de estátuas magoa-me muito. As estátuas de leopoldo II, sim ele era soberano do estao dindependente do Congo onde de resto nunca meteu os pés. Mas durante 44 anos ele foi soberano dos belgas. Uma cidade como bruxelas deve-lhe grande parte do seu urbanismo", recorda Francis Balace, historiador e professor honorário da Universidade de Liége.

A comuna de Etterbeek quer tornar esta iniciativa numa ferramenta pedagógica. Para o futuro está prevista a organização de passeios culturais para residentes e estudantes.