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MisMI, a luta dos Alpes contra o isolamento

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MisMI, a luta dos Alpes contra o isolamento
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Nas regiões montanhosas, o despovoamento e o envelhecimento da população são duas constantes. Quando as aldeias do Vale de Aosta foram afetadas pela covid-19, um dos primeiros a adaptar-se para o combate ao vírus foi MisMI, um projeto europeu de medicina proativa e cuidados sociais nas montanhas entre França e Itália.

Durante os meses mais difíceis da pandemia, os enfermeiros, além de trabalharem no hospital, foram de casa em casa, para realizar testes de deteção de coronavírus.

Em 2018, Valentina deixou o emprego em Inglaterra para participar no MisMI. Para a enfermeira, a saúde não é apenas uma questão de pessoas doentes de forma isolada, mas sobretudo uma questão comunitária.

O orçamento total para o MisMI é de cerca 1,8 milhões de euros euros. A política de coesão da União Europeia financiou 83% do projeto, do qual já beneficiaram diretamente quase cinco mil pessoas.

"Viver nas montanhas não deve significar estar isolado ou sozinho"

Entre o vale da Tarentaise, em França, e o território do Vale d'Aosta em Itália, viver nas montanhas não tem de significar isolamento

É pelo menos esse o objetivo do projeto transfronteiriço, que combina telemedicina e atividades de contacto direto com as pessoas.

A coordenadora do projeto, Anna Castiglioni, explica que "MisMI nasceu de uma necessidade concreta, porque viver nas montanhas não deve significar estar isolado ou sozinho", uma situação que "pode ser um problema especialmente para aqueles que têm doenças crónicas ou alguma fragilidade social e que não têm ninguém para os apoiar ou acompanhar nesses momentos de fragilidade".

Assim, Mismi tem duas almas, uma médica e uma social. Uma das atividades sociais mais populares do projeto são as caminhadas nas montanhas.

Aida Ndoja lidera vários desses grupos e defende que "o papel do facilitador neste contexto é muito importante porque promove a interação entre os participantes, ajuda a ir buscar pessoas, deteta as necessidades que a população tem, e outro aspeto importante é também encontrar recursos formais e informais dentro do grupo".

Cláudio esteve durante 47 dias entre a vida e a morte, por causa da covid. Hoje, aos 68 anos, sente estas caminhadas de uma forma diferente.

“Agora, cada dia que tenho para mim é um dia de vida, é um dia que eu aprecio, é um dia mais bonito do que os outros. Antes, a chuva costumava incomodar-me, agora diz-me que estou vivo mais um dia”, conta.