A declaração do gabinete do primeiro-ministro surge no mesmo dia em que o exército israelita avisou os residentes dos subúrbios do sul de Beirute de ataques iminentes e apelou à sua evacuação.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, declarou na quinta-feira ter ordenado ao seu gabinete que iniciasse conversações diretas com o Líbano para desarmar o Hezbollah e estabelecer "relações de paz" entre os dois países.
"À luz dos repetidos pedidos do Líbano para abrir negociações diretas com Israel, dei ontem instruções ao gabinete para iniciar negociações diretas com o Líbano o mais rapidamente possível", escreveu o seu gabinete num comunicado.
"As negociações centrar-se-ão no desarmamento do Hezbollah e no estabelecimento de relações de paz entre Israel e o Líbano. Israel aprecia o apelo feito hoje pelo primeiro-ministro do Líbano para desmilitarizar Beirute", acrescentou o comunicado.
A declaração do gabinete de Netanyahu surge no mesmo dia em que os militares israelitas avisaram os residentes dos subúrbios do sul de Beirute, há muito um reduto do grupo militante libanês Hezbollah, de ataques iminentes e apelaram à sua retirada.
"As Forças de Defesa de Israel continuam a operar e a atacar as infraestruturas militares pertencentes à organização terrorista Hezbollah em várias áreas dos subúrbios do sul", afirmou o porta-voz militar em língua árabe, Avichay Adraee, numa publicação no X.
"As FDI não pretendem fazer-vos mal e estão a atuar apenas contra os operacionais do Hezbollah e contra alvos militares. Por conseguinte, para vossa segurança, devem sair imediatamente."
Este aviso foi feito um dia depois de Israel ter efetuado a sua maior vaga de ataques desde o início da guerra com o Hezbollah, a 2 de março, matando mais de 200 pessoas.
O Hezbollah afirmou que estava a travar um combate corpo a corpo contra as forças israelitas no terreno, na quinta-feira, na cidade de Bint Jbeil, no sul do país.
Embora Israel emita regularmente avisos de evacuação antes de bombardear os subúrbios do sul de Beirute, o anúncio de quinta-feira incluía também os arredores do único aeroporto internacional do Líbano.
Tem havido confusão sobre se o acordo de cessar-fogo com o Irão, que entrou em vigor na madrugada de quarta-feira, inclui o Líbano.
Tanto Netanyahu como o presidente dos EUA, Donald Trump, dizem que não, uma afirmação contestada pelos mediadores no Paquistão.
"Não foram incluídos no acordo", disse Trump, de acordo com uma publicação nas redes sociais da correspondente da PBS News Hour, Liz Landers.
Bruxelas, Moscovo e Ancara exigiram que o cessar-fogo de dois dias fosse alargado ao Líbano.
"Vemos a situação no sul do Líbano com particular preocupação", disse o chanceler alemão Friedrich Merz, fazendo eco das declarações de Paris e Londres.
"A severidade com que Israel está a travar a guerra pode fazer fracassar o processo de paz no seu conjunto e isso não pode acontecer", alertou.
Por seu lado, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu que Teerão considera o Líbano uma "parte inseparável do cessar-fogo" e o presidente Masoud Pezeshkian afirmou que os ataques de Israel tornaram "sem sentido" as conversações com os enviados dos EUA previstas para o final da semana no Paquistão.
Conversações de alto risco
Se as conversações com o Paquistão avançarem, um dos principais pontos de discórdia continuará a ser o Estreito de Ormuz, através do qual passa um quinto do petróleo mundial, bem como grandes quantidades de gás natural e fertilizantes em tempo de paz.
Na quinta-feira, o Irão anunciou rotas alternativas para os navios que atravessam o estreito, invocando o risco de minas marítimas.
Mas não ficou claro se Teerão estava, na prática, a permitir que os navios passassem pelo estreito, depois de, na quarta-feira, ter sido noticiado que o mesmo estava encerrado, algo que a Casa Branca considerou "completamente inaceitável".