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Trump volta a criticar a NATO e diz que a considera "dececionante"

O Presidente dos EUA, Donald Trump, fala com os jornalistas na Sala de Imprensa James Brady, na Casa Branca, 6 de abril de 2026
O Presidente dos EUA, Donald Trump, fala com os jornalistas na Sala de Imprensa James Brady, na Casa Branca, 6 de abril de 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Gavin Blackburn
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A indignação de Trump contra os aliados da NATO, por não se terem juntado à guerra contra o Irão, provocou receios de que este tentasse retirar os Estados Unidos da aliança com quase oito décadas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a repreender a NATO, esta quinta-feira, depois de parecer renovar as ameaças de tomar a Gronelândia. As novas ameaças foram feitas numa reunião à porta fechada com o secretário-geral da Aliança Atlântica, Mark Rutte, durante a qual se esperava que se discutisse a possibilidade de abandonar o bloco.

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"Nenhuma destas pessoas, incluindo a própria NATO, muito dececionante, entendeu nada, a não ser sob pressão", esscreveu Trump numa publicação na rede social Truth Social, sem dar mais explicações.

Captura de ecrã de uma publicação na Truth Social do presidente dos EUA, Donald Trump, 9 de abril de 2026
Captura de ecrã de uma publicação na Truth Social do presidente dos EUA, Donald Trump, 9 de abril de 2026 @realDonaldTrump

A indignação de Trump contra os aliados da NATO, por não se terem juntado aos Estados Unidos na guerra contra o Irão, provocou receios de que o líder norte-americano tentasse retirar o seu país da aliança.

Nas primeiras declarações após a reunião com Rutte, na quarta-feira, Trump limitou-se a reiterar a sua frustração. "A NATO não estava presente quando precisámos dela e não estará presente se voltarmos a precisar dela", afirmou o presidente dos EUA na Truth Social. "Lembrem-se da Gronelândia, aquele pedaço de gelo grande e mal gerido", acrescentou.

A ameaça de Trump de confiscar a vasta ilha no Atlântico Norte à Dinamarca, aliada da NATO, foi uma questão-chave que agitou a aliança no início deste ano.

Rutte, ex-primeiro-ministro dos Países Baixos conhecido pela proximidade com Trump, entrou na ala oeste da Casa Branca por um portão lateral. A reunião foi realizada à porta fechada. "Foi uma discussão muito franca, muito aberta", disse Rutte mais tarde à CNN.

Questionado várias vezes sobre se Trump tinha dito que iria abandonar a aliança, Rutte não respondeu diretamente.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse aos jornalistas antes da reunião que uma possível saída dos EUA da NATO é "algo que o presidente discutiu, e penso que é algo que o presidente irá discutir dentro de algumas horas com o secretário-geral Rutte".

O secretário-Geral da NATO, Mark Rutte, discursa no Instituto Ronald Reagan, em Washington, a 9 de abril de 2026
O secretário-Geral da NATO, Mark Rutte, discursa no Instituto Ronald Reagan, em Washington, a 9 de abril de 2026 AP Photo

O Wall Street Journal noticiou que Trump estava a considerar a possibilidade de punir alguns membros da NATO, que considera terem sido "inúteis" durante a guerra, retirando as tropas dos EUA dos seus países.

A reunião teve lugar um dia depois de Washington e Teerão terem acordado um frágil cessar-fogo de duas semanas.

O presidente dos EUA já tinha classificado a NATO como um "tigre de papel", depois de alguns dos seus membros se terem recusado a liderar os esforços para abrir o estratégico Estreito de Ormuz e terem limitado as forças norte-americanas a utilizar bases nos seus territórios.

Trump atacou pessoalmente vários líderes, criticando o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, por "não ser um Winston Churchill" e ridicularizando os navios de guerra britânicos, descrevendo-os como "brinquedos".

O plano divulgado pelo Wall Street Journal fica aquém das ameaças frequentemente proferidas por Trump de retirar totalmente os EUA da NATO, uma medida que exigiria a aprovação do Congresso.

Crise após crise

O secretário-geral da NATO, no entanto, orgulha-se de ter conseguido atrair Trump para o seu lado. Antes da visita à Casa Branca, Rutte reuniu-se com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, para discutir sobre o Irão, a guerra da Rússia na Ucrânia e as responsabilidades da NATO.

"Os dois líderes discutiram a Operação Epic Fury, os esforços em curso liderados pelos EUA para pôr um fim negociado à guerra Rússia-Ucrânia, e aumentar a coordenação e a transferência de encargos com os aliados da NATO", disse o porta-voz adjunto principal do Departamento de Estado, Tommy Pigott.

Rutte deverá também encontrar-se com o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, durante a sua estadia em Washington.

Casas cobertas de neve são vistas na costa de uma enseada marítima de Nuuk, 7 de março, 2025
Casas cobertas de neve na costa de uma enseada marítima de Nuuk, 7 de março de 2025 AP Photo

A NATO tem sido fustigada por crises atrás de crises desde que Trump regressou ao poder no ano passado, sobretudo pela sua ameaça de se apoderar da Gronelândia.

Nos últimos meses, o líder dos EUA também puxou o tapete à Ucrânia, que continua a defender-se da invasão russa, e ameaçou não proteger os aliados a menos que estes gastem mais em defesa.

Rutte tem sido fundamental nos esforços dos aliados para lisonjear e apaziguar Trump, a quem chamou "papá" numa cimeira no ano passado.

No que diz respeito ao Irão, tem procurado pôr a mão na massa, chamando aos esforços dos EUA para diminuir a capacidade militar de Teerão algo que deve ser "aplaudido".

Envolvimentos estrangeiros

Joe Kent, ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos da América, afirmou numa publicação nas redes sociais que a eventual saída dos Estados Unidos da NATO não se destina a "evitar envolvimentos externos", mas sim a apoiar Israel em qualquer combate contra a Turquia.

"Vamos sair da NATO para podermos ficar do lado de Israel quando a Turquia e Israel entrarem em conflito na Síria", escreveu Kent numa publicação no X.

A Turquia é membro de longa data da NATO, ao contrário de Israel. Se Ancara invocasse a cláusula de defesa mútua do artigo 5 da aliança, Washington seria legalmente obrigado a apoiar a Turquia.

"Está na altura de deixar de brincar aos incendiários e aos bombeiros no Médio Oriente, não vale a pena", disse Kent.

A Turquia e Israel têm estado envolvidos num conflito estratégico sobre o que deverá ser a Síria após o afastamento do antigo ditador Bashar al-Assad, em dezembro de 2024.

A Turquia quer um Estado sírio estável sob a sua esfera de influência para combater qualquer movimento de autonomia curda, enquanto Israel prefere uma Síria fragmentada para evitar um potencial poder hostil na sua fronteira.

Kent, republicano, demitiu-se do cargo de diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo em março, invocando as suas preocupações quanto à justificação dos ataques militares no Irão e afirmando que "não pode, em boa consciência", apoiar a guerra.

"Sempre o achei um tipo simpático, mas sempre o achei fraco em matéria de segurança", disse Trump aos jornalistas após a demissão de Kent. "É bom que ele tenha saído porque disse que o Irão não era uma ameaça".

Outras fontes • AFP

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